domingo, 29 de agosto de 2010

ELIFAS ANDREATO – AS CORES DA RESISTÊNCIA



Está em cartaz até o dia 10 de outubro no Memorial da Liberdade em São Paulo a exposição ELIFAS ANDREATO – AS CORES DA RESISTÊNCIA.

A mostra enfoca a produção mais política deste ilustrador cujo traço é familiar a qualquer brasileiro mais atento, já que sua arte prestou serviços a inúmeras capas de discos (sendo premiado por mais de dez vezes por estes trabalhos), livros, revistas, cartazes e etc.





Filho de lavradores, nascido em 1946 no interior do Paraná, veio para São Paulo no início da adolescência. Aos 14 trabalhava como torneiro mecânico durante a semana e, aos sábados e domingos, emprestava sua habilidade artística decorando o salão de festas da empresa. Aos 18, iniciou como assistente de cenografia na TV Record, logo depois passou para a editora Abril,onde entrou como estagiário e chegou à posição de diretor de arte, cargo que abandonou para poder exercer seu trabalho de forma mais ideológica e política.



Nos anos 70, em pleno regime militar participou da revista ARGUMENTO, participação esta que lhe garantiu a monitoração por parte dos grupos de repressão aos movimentos subversivos. Entre suas produções, estão pôsteres para o fundo de greve dos trabalhadores, para peças de teatro históricas, capas de livros políticos, enfim, um artista ENGAJADO, que fez e faz de sua arte, ferramenta para reflexão acerca da realidade em que vivemos.



Aproveite e relembre mais um pouco de nossa história, visitando as ruínas do DOPs, que também funciona na Estação Pinacoteca. Zinismo recomenda.

sábado, 28 de agosto de 2010

OS HAXIXINS - GARAGE ROCK 60'S


Os Haxixins não ganham a atenção pela virtuose musical nem pelo ineditismo, não porque estas características fazem falta para o grupo, mas simplesmente porque não é isto que os torna algo interessante de se apreciar. Este grupo brasileiro faz um acentuado garage rock pautado nas bandas obscuras dos anos 60...Na verdade, seus integrantes fazem muito mais...Eles vivem algo bem próximo da realidade estilística que concretizam enquanto elaboram sua arte e a executam. Buscam a postura, os timbres, as roupas, os olhares, os “fazeres”, as mentes e os equipamentos deste período que dá fundamento ao seu som.
Volto a acreditar que, ao montar uma banda, seja qual for o estilo, um bom caminho é seguir o exemplo destes rapazes suspensos no tempo.








Voltando no Tempo...



sexta-feira, 27 de agosto de 2010

MOZINE ATOR

Nosso estimado amigo Fábio Mozine, conhecido internacionalmente por seus dotes musicais (Mukeka Di Rato, Merda) e empresariais (Läjä), vem também desenvolvendo uma promissora carreira de ator. Selecionamos três pérolas produzidas pelo pessoal da TV Quase, de Vilha Velha (ES), para que você possa conferir - e dar boas risadas - com a performance do Mozine. Zinismo recomenda: os vídeos são bem feitos e hilários. Para ver mais, acesse o canal do Youtube da TV Quase.


Loja de Inconveniências



Cachaça - The Movie



Clipe de "Cachaça", do Mukeka di Rato



have fun!

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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

EXPO FOTOGRÁFICA EM BLUMENAU

Saindo um pouco do foco de dicas em São Paulo, segue divulgação de uma exposição fotográfica em Blumenau.


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terça-feira, 24 de agosto de 2010

MEMÓRIAS DE FANZINE - AAAH # 5

Dando sequência às publicações (polêmicas, por incrível que pareça) das memórias fanzinísticas de Márcio Sno, segue o texto sobre o FANZINE AAAH # 5. Destaque para a capa foda, que uniu o saudoso Joacy Jamys com o lendário Lauro Roberto.

Aaah!! - n° 5 - 1996





Esse zine é um divisor de águas na minha trajetória, pois foi no período que descobri a obra do artista plástico suíço HR Giger e todos fundos de páginas foram com ilustrações dele. Mas o mais importante: nessa época em que ganhei um computador de meu pai e passei a digitar tudo nessa máquina que representou um passo à frente na produção de zines e o começo da sua decadência (pois com a popularização dos computadores veio de graça a internet aos pouquinhos...).
Voltei ao velho formato ofício, grandão! A capa ficou por conta de uma das maiores referências de fanzines e da HQ nacional: Joacy Jamys. Lembro que ele mandou o original pra mim que ficou um bom tempo comigo. Quando retomei contato com ele, via e-mail, ele pediu o original para um álbum que estava fazendo sobre sua carreira. Mandei. Um mês depois ele morreu. Não é apenas por isso, ou por ser no meu zine, mas essa é uma das capas mais fodas que já vi de fanzines. Inclusive eu fiz uma tela que estampou muitas camisetas pelo Brasil afora... Na capa, tem um desenho do Lauro Roberto, uns dos vários que ele fazia nas cartas que trocávamos.
Entrevistas com: No Opression, Penadas por la Ley, Komadreja, Pentacrostic, o grande poeta Élmantos, Terror Squad, Grupo Gay Dignidade, SDPP, Better Day Society, Petter Baiestorf, Alternative Action, Hugo Leta, Abuso Sonoro
Desenhos de: Henry Jaepelt, Fred, Hugo Leta, Angelo Ribeiro, Maria Jaepelt, Kevin, Ricardo Carvalho, Glauco Mingau, Márcio Jr, André Leal, Flávio Flock, Rogério Velasco.
A seção Poetando ficou lindona e ainda ganhou três páginas! Uma seção de demos tão gigante, que não sei como alguém conseguia ler aquilo tudo!
Um dos zines que mais gostei de fazer, o que achei mais bonito e num período em que estava mais maduro, fazendo perguntas mais elaboradas para os entrevistados e talvez o que mais gostei de fazer.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

UMA PERGUNTA PARA TRISTEZA

Tristeza. Nome incomum para uma banda californiana. Conheci através do amigo Cebola, na época em que tinha (ou melhor, tínhamos) loja na Galeria do Rock. Enfim, o que importa é que a banda é boa, música instrumental de primeira linha. Post Rock, na minha definição quadrada. Na deles, ou melhor, na do Myspace deles, é Progressive / Psychedelic / Rock.

Ano passado eles lançaram um excelente álbum, intitulado "Fate Unfolds". Curiosamente, a faixa dois chama-se "Floripa". Primeiro eu pensei: "será que existe outro lugar ou coisa nesse mundo chamado Floripa?" Mas aí ouvindo o som, que começa num clima bem bossa nova, deduzi que deveria existir alguma conexão com a ilha de Santa Catarina.

Então, para tirar a dúvida de uma vez por todas, mandei a pergunta para a banda.

ZINISMO: A música "Floripa" foi inspirada na ilha de Florianópolis, no sul do Brasil?
TRISTEZA (James): Sim, essa música recebeu esse nome por causa de Florianópolis. Eu nunca estive lá, mas tinha uma namorada de Floripa na época em que fiz essa música. Eu imaginava que era um lugar lindo, cheio de mulheres lindas, mas que se você mexesse com elas, elas poderiam te matar!

Mais infos aqui.


[ imagem: capa do disco "Fate Unfolds", de 2009 ]

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domingo, 22 de agosto de 2010

CRISIS OF CONFORMITY - SNL

Por Flávio Grão, hackeado por Idéia

Imagine a cena, um jovem casal vai se casar e o pai da noiva resolve fazer uma palhinha com sua antiga banda durante a festa. Provavelmente você imagina que lá vem vários clássicos do rock dos anos 70, certo? Errado! Errado se os caras forem os remanescentes da lendária banda CRISIS OF CONFORMITY!



Segue a letra do petardo:

FIST FIGHT IN THE PARKING LOT

Yeeeaaarrrggghhh!!!
...
When Ronald Reagan comes around
He brings the fascists to your town
You think it’s cool to be a jock
But we get beat up by the cops

Fist fight, fist fight, fist fight in the parking lot
Fist fight, fist fight, fist fight in the parking lot

I guess my mind’s all messed up
But isn’t that a result of going to your schools?
Being a part of your system?
And following your orders?

Maybe I should put on my suit
And my tie, and eat a happy meal

And a white picket fence
I have a better idea
How about I kick some windows in with my boots?

Do you hear that Alexander Haig?
There’s gonna be a 1, 2, 3, 4...

Fist fight, fist fight, fist fight in the parking lot
Fist fight, fist fight, fist fight in the parking lot

PS 1 - Este quadro foi ao ar no programa Saturday Night live no começo deste ano, na ocasião em que o Them Crooked Vultures tocou.

PS 2: O humorista Fred Armisen (vocal do Crisis of conformity) tocou bateria em uma banda punk de Chicago dos anos 90 chamada Trenchmouth.

sábado, 21 de agosto de 2010

WRY - TODOS OS ÁLBUNS

Quando o e-mail foi aberto, lá estava o Link para baixar todos o álbuns do Wry e mais umas pérolas esquecidas da banda. Na resposta ao e-mail algo passou rapidamente pela minha mente:

O Wry pode ser considerado o marco da 2ª geração de bandas alternativas da nossa Manchester (leia-se Sorocaba) e merece destaque entre as bandas independentes dos anos 90. Do mesmo território, porém de uma geração anterior, ou seja, dos anos 80, é o Vzyadoq Moe que merece destaque. Hoje, a “Manchester Brasileira” traz o The Name como motor da terceira geração...

Já que a comparação foi feita, vale lembrar que a Manchester do velho mundo sempre nos presenteou com admiráveis bandas (menos o Oasis)... The Fall, Buzzcocks, Joy Division, The Smiths, Elbow e por ai vai…

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR TODOS OS ÁLBUNS DO WRY








quinta-feira, 19 de agosto de 2010

DAS FACES E SOMBRAS


Boas novas! O filme "Das Faces e Sombras", dirigido por Vébis Jr com roteiro de Flávio Grão, foi selecionado para a Mostra de Curtas da Cidade de São Paulo (poucos dias depois de também ter sido selecionado para o Prêmio Zoom, da TV Cultura).

O filme terá três exibições na Mostra de Curtas:

Dia 21/08 - 16H00 - Cinemateca - Sala Petrobrás
Dia 22/08 - 20H00 - Museu da Imagem e do Som
Dia 25/08 - 19H00 - Cine Olido

A entrada é franca. Mais infos aqui.

Segue um breve relato do Grão sobre essa parceria com o Vébis:

"Há dez anos, eu editava dois fanzines de contos, um chamava-se Histórias para ler no Banheiro (coletivo) e outro 333 (solo). Bem, corta. Segue para 2006. Em uma das conversas regadas a café com o amigo (e cineasta) Vébis Jr, surge uma história entre tantas e ele me propõe 'Cara, faz isso em forma de roteiro?' Topei, fiz o roteiro e ele finalizou. Das Faces e Sombras ficou o nome da história. Ganhamos o prêmio estímulo em São Bernardo do Campo ainda no ano de 2006, uma verba para realização do filme. Depois de pronto o curta, fiz a capa.

Recebi há algumas semanas a boa notícia de que o filme foi selecionado para a mostra de curtas da cidade de São Paulo em 2010. Poucos dias depois de também ter sido selecionado para o prêmio ZOOM da TV cultura. Então estou bem feliz, né?

Parabéns ao Vébis pelo árduo trabalho, pela disposição e garra em transformar uma idéia em algo concreto!"



Ah, uma outra parceria criativa entre o Grão e o Vébis (+ o músico Parteum) pode ser conferida no vídeo Tinta incrível:

Flávio Grão [Tinta Incrível] from OutroEstilo on Vimeo.



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terça-feira, 17 de agosto de 2010

DO BAÚ: DESCENDENTS



Em 2007, escrevi uma matéria para a extinta Revista MTV sobre os 20 anos do álbum ALL, do Descendents. Era uma seção chamada "Do Baú", que resgatava discos clássicos. Pois bem, para os que não tiveram a oportunidade de conferir a matéria na época (a revista era apenas para assinantes, não chegava em banca), aqui está, na íntegra:

O hardcore melódico (e cafeínado) do Descendents

Para entender o tal do hardcore melódico é fundamental conhecer uma banda chamada Descendents, formada por quatro punk rockers acima de qualquer suspeita: Bill Stevenson (bateria), Milo Aukerman (vocal), Karl Alvarez (baixo) e Stephen Egerton (guitarra). O momento alto da trajetória da banda completa 20 anos em 2007. É o álbum ALL, uma jóia rara do hc melódico, que resume todas as melhores qualidades do gênero e, ao mesmo tempo, a fase mais criativa do quarteto


Por Marcelo Viegas


O Começo


O embrião do que seria o Descendents começou a ser elaborado em 1978, em Los Angeles, Califórnia. Mas só em 1980 foi lançado o primeiro single, Ride the Wild, apenas com o batera Bill Stevenson da formação que em 87 gravaria o clássico ALL. Completavam a banda Frank Navetta (guitarra) e Tony Lombardo (baixo). Era um trio, com uma sonoridade mais próxima da surf music. Mas essa fase durou pouco.


Pouco tempo depois do lançamento de Ride the Wild, o Descendents encontrou o vocalista ideal: Milo Aukerman, amigo de colégio de Bill Stevenson e peça-chave para o conceito nerd-punk-romântico da banda. Em 1981 saiu o primeiro registro com Milo na banda, o EP Fat, e em 82 veio o primeiro álbum, Milo Goes to College, cujo título era um prenúncio das idas e vindas de Aukerman, sempre dividido entre o rock e a bioquímica. Milo Goes to College foi o marco inicial desse novo estilo de punk levado a cabo pelo Descendents, cujos temas fugiam do lugar-comum do gênero. Por que não falar de garotas, pescaria e café? Afinal, são coisas que eles apreciam. Os mais xiitas estranharam, torceram o nariz, mas pouco importa. Nascia ali um tal de hardcore melódico. Ou californiano, como muitos também costumavam dizer.


E Milo de fato foi para a escola. A bioquímica falou mais alto e o Descendents ficou parado até 1985. Nesse meio tempo Bill Stevenson foi quebrar o galho de uma outra “bandinha” chamada Black Flag!


Milo volta da escola


Mas veio 1985 e veio também I Don´t Wanna Grow Up, para marcar o retorno de Milo. Vários hits da banda permeiam esse álbum, como “Silly Girl”, “Christmas Vacation” e “Good Good Things”. Um ano depois eles lançam Enjoy e a banda sofre alterações com a entrada do baixista Karl Alvarez (vindo da banda Bad Yodellers) e do guitarrista Stephen Egerton (vindo do Massacre Guys). Pronto, estabelecia-se a formação clássica e definitiva da banda.


Para celebrar esse momento eles entram em estúdio em janeiro de 87, e saem com um clássico nas mãos, o álbum ALL. Presentearam o hardcore com um disco no mínimo à frente do seu tempo. Apesar de punk até a medula, era evidente a qualidade técnica da banda: Milo e seu vocal absolutamente melódico, inspiradíssimo e fazendo jus a fama de “Sinatra do hardcore”; a bateria criativa, autoral e pesada de Bill Stevenson, flertando com o jazz, o punk e a surf music na mesma intensidade e facilidade; os dois estreantes, Karl e Stephen, trouxeram novos ares e idéias, mas sem descaracterizar uma vírgula o som da banda. Um milagre, Aleluia!


Com pouco mais de 38 minutos e 13 músicas (sendo 2 vinhetas, “All” e “No, All!”), é um disco repleto de grandes clássicos da banda (“Coolidge”, “Pep Talk”, “Clean Sheets”), cujas letras, falando de lençóis sujos por traições ou sobre a esperança de encontrar uma garota melhor, já eram uma especialidade da banda há tempos. Já não chocavam tanto o punk politizado, mas estavam longe da mesmice do estilo. E o melhor: sem nunca suscitar a menor relação com o tal do emocore, que nascia por aqueles mesmos dias em Washington, DC. O bom senso imperou pelo menos nesse caso, e a banda escapou ilesa desse rótulo.


Espertos, criaram seu próprio rótulo: geekcore. Geek o quê? Geek, de estranho, esquisito, não-convencional. Milo é o melhor exemplo: óculos fundo de garrafa, visual de nerd, bioquímico, cantando letras de amor e preferindo café do que cerveja. Isso é punk? É sim senhor, mas causou estranheza. Por isso o termo geekcore, que numa tradução pobre significa “hardcore estranho”. O tal do geekcore fez escola, com letras de amor e aquela palhetada abafada, marca registrada de Stephen Egerton. Muitas bandas nasceram dessa fórmula: Shades Apart, Hard-Ons, Big Drill Car, Pavers, Chemical People, etc.


Voltando pra cronologia: Ainda em 87 lançam dois álbuns ao vivo, Liveage e Hallraker. E aí, nesse ótimo momento da banda, Milo prova quão geek ele é e decide se dedicar novamente à bioquímica, trocando os palcos pelos laboratórios.


¾ do Descendents mais um vocalista


Cansados de esperar pela boa vontade de Milo, os outros três integrantes do Descendentes resolvem montar uma banda paralela para “matar o tempo”, chamada ALL. Era uma homenagem ao clássico disco e também uma maneira de levar adiante o conceito que eles haviam criado e batizado: a ALL-logística (a música “All-O-gistics” explica melhor esse conceito maluco). Recrutam o vocalista Dave Smalley (ex-Dag Nasty e atual Down By Law) e entram em estúdio no final de 87 para gravar o primeiro álbum da nova banda, chamado Allroy Sez. Esse disco traz na capa o boneco Allroy, que viraria símbolo da banda dali em diante.


Com o ALL lançam nove discos oficiais, tocando um som que se assemelha ao Descendents, mas com nuances mais roqueiros e uma certa influência de country music, ou seja, pequenos detalhes que diferenciam uma banda da outra. Principalmente os vocalistas, é claro: com a saída de Dave Smalley (em 88), quem assume o vocal é Scott Reynolds, ficando nesse função até 1992. Aí entra Chad Price, que está até hoje no posto.


O ALL passou pelo Brasil em 2002, numa mini-tour de 4 shows, mostrando toda a potência da sua música ao vivo. Nas palavras da própria banda, o ALL nada mais é que ¾ do Descendents mais o Chad Price cantando, uma prova de que o Descendents na verdade não acabou, apenas tem períodos de hibernação.


Milo tira férias do laboratório


Nove longos anos depois, eis que o Descendents volta à ativa em 1996, com o álbum Everything Sucks. Quando todos pensavam que a banda estava morta e enterrada, eles sacam da manga um discão nervoso, rápido e cheio de músicas dignas de figurar entre as melhores que eles já fizeram, como “I´m the One”, “When I Get Old” e “Thank You”. Além da paulada intitulada “Coffee Mug”, justa homenagem ao vício da banda pelo café.


Mas Milo estava apenas tirando umas férias, e teve que voltar ao trabalho. Para saciar a fome dos fãs, em 2001 saiu um disco ao vivo do ALL, chamado “Live Plus One”, que trazia de bônus um ao vivo do Descendents, gravado em 96, durante a turnê de divulgação do Everything Sucks.


E provando que quem é vivo sempre aparece, em 2004 o Descendents lançou mais um álbum, Cool to be You, para dar continuidade ao legado dessa verdadeira instituição do punk rock. O que dizer desse disco? O óbvio: mais uma aula de como fazer o tal do hc melódico, com classe, qualidade e café. Sim, parece que enquanto existir cafeína rolando em suas veias, esses tiozinhos não vão cansar de nos oferecer belos discos e canções. Café neles, então! E longa vida aos Descendents!!!



Obs. Uma das últimas aparições de Bill Stevenson e Karl Alvarez foi ao lado de Evan Dando, com o Lemonheads. Juntos fizeram um discão, auto-intitulado, que saiu em 2006 e teve edição nacional. Ambos não tocam mais (ao vivo) com o Lemonheads, mas rumores dizem que Bill vai produzir e tocar bateria no próximo disco de inéditas da banda. Além disso, Bill é um dos sócios do estúdio Blasting Room (Fort Collins, Colorado) e toca bateria na banda Only Crime. Karl Alvarez passou por alguns problemas de saúde, mas está melhor. Milo Aukerman mora com a família em Newark, Delaware, mas essa é uma informação não muito confiável, pois Milo é um sujeito que sabe se esconder quando quer. E Stephen Egerton continua produzindo bandas (coisa que ele faz tão bem quanto tocar guitarra), e recentemente lançou um disco solo chamado The Seven Degrees of Stephen Egerton, com vários vocalistas convidados, inclusive um tal de Milo Aukerman. Ah, e para constar: o Descendents anunciou três shows na Austrália em dezembro!



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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

MEMÓRIAS DE FANZINE - AAAH # 3 e 4

Dando continuidade a publicação das "memórias fanzinísticas" feita por Márcio Sno, seguimos com os fanzines AAAH # 3 e 4.
A rede de contatos aumentaram consideravelmente e culminaram em um fanzine de 120 páginas! Além da incrível história do poster, feito de modo coletivo através do correio - Do-it-yourself puro, velhos!


Aaah!! - n° 3 - 1994



Esqueci de falar que as duas primeiras edições saíram em formato ofício (uma folha de sulfite inteira) e a partir dessa edição passei a usar o formato meio ofício, pois era mais bonitinho...
Eu perdi os originais desse zine, que foi feito todo em formato ofício e depois eu reduzi até que ficasse no tamanho para caber nas páginas.
Nessa época eu já tinha contato com uma das pessoas mais bacanas e misteriosas do universo dos fanzines: Bruno Furnari, que editou o revolucionário Drowned (talvez o primeiro feito inteiramente por computador). Furnari era muito divertido e desenhava muito, mas curiosamente ninguém conheceu o cara pessoalmente. Nem eu.
Nas cartas dele, sempre vinha um bocado de desenhos que fui utilizando nos meus zines a partir daí. Na capa desse zine, os dois guitarristas saíram dessas cartas. A caveirinha lá na batera eu surrupiei do fanzine Rock n'Roll que era distribuído na Galeria do Rock. O carinha gritando abaixo eu peguei em um jornal.
Ah, e o Furnari também era um dos poucos no país que desfrutavam de computador e impressora a laser. E foi ele quem fez o logotipo dessa vez.
Aos poucos, fui deixando de publicar releases em minhas publicações e adotando mais entrevistas, embora, as perguntas feitas eram praticamente idênticas umas das outras.
Entre a galera entrevistada estavam: Pinheads, Cortina de Ferro (quem não se lembra da clássica "into the fire, oh, memories..."?), Prime Mover, Soutien Xiita, Rotten Flies, Lethal Charge, The Power of the Bira, João Gordo (na época ele havia produzido a clássica coletânea Fun, Milk & destroy), Poindexter, Uterus Masticator, KOV, Hell Noise, GDE, Rot, Reforma Protestante, Desecration, Purulence...
Nessa edição eu inaugurei a sessão "Poetando" e também as cruzadinhas.
Essa edição também marca a primeira participação de Henry Jaepelt em meus zines. Uma parceria que dura até hoje!
Curiosidades mais: O editorial completo dessa edição foi publicado no "Almanaque de Fanzines" de Bia Albernaz e Maurício Peltier. E a HQ que fiz na contracapa, chamada "Use your head" saiu no caderno Zap! do jornal O Estado de S. Paulo (um caderno jovem que sempre saía coisas minhas - eu era apenas um leitor, diga-se de passagem) e, curiosamente descobri isso quando um amigo disse que esse caderno foi distribuído durante o Hollywood Rock.
Nessa edição meu zine contava com o selinho da Tilt Corp., que era uma cooperativa de zines idealizada pelo Furnari.


Aaah!! - n° 4 - 1994


Não via a hora de chegar nessa edição...

Em menos de um ano, graças aos outros zines e nos bilhões de flyers que distribuí nos envelopes pelo Brasil afora, já acumulava uma quantidade incontável de contatos e isso ficava claro quando eu recebia todos os dias um pacote de cartas recheadas de fitas demo e fanzines dos mais variados tipos, estilos, tamanhos, ideologias e locais.
O resultado disso, foi um zine de 120 páginas e mais um pôster, do qual falarei no próximo capítulo.
Muitos podem pensar que fiz um zine desse tamanho para me exibir ou coisa parecida. Mas quem viveu aquela época, sabe bem que quando de lançava um zine, não se tinha ideia quando sairia a edição seguinte e eu, com essa coisa filantrópica nata, tinha receio de deixar material recebido sem previsão de ser divulgado.
Era muito complicado tirar cópia e mandar pelo correio esse zine, pois com o volume aumentava os custos em todos os sentidos.
Essa edição a capa ficou a cargo de Bruno Furnari, mas dessa vez o desenho foi proposital para ser a capa dessa edição. Coloquei de fundo um papel pardo (daqueles que sempre tem no final dos blocos de papel timbrados, saca?) pra dar um aspecto mais sujo na hora da xerox. O miolo, usei como "margens" páginas do extinto Notícias Populares, o sangrento jornal paulista.
Nessa edição quase já não tinha mais os releases de bandas, foram muitas entrevistas. Inclusive foi a primeira vez que fiz uma entrevista ao vivo, com a banda de death metal Golem, junto com o Hugo Leta.
Entrevistas com: Safari Hamburgers, Alpha Asian Malaria, Primal Therapy, Face to Face zine, Decibéis D'Bilöid's, Blessed, Homicide (ótima banda italiana, quem souber o paradeiro, me avise!),Tumulto, Siecrist, Cash for Chaos, Alternative System, Hinfamy, Necrorrosion, BSB-H, Kangaroos in Tilt, Câmbio Negro HC, No Violence, Gaby Benedyct, Discarga Violenta, Anthares e outros mais.
Colaboraram com desenhos: o casal Maria e Henry Jaepelt, Hugo Leta, Joacy Jamys, Furnari, Alessandro Yogui, Tunão, Laerte, Gerson Mendes e os meus desenhinhos também!
Sem falar as inúmeras resenhas de demos, zines e colaborações de Júnior (do White Frogs, com o texto sobre Straight Edge - na época em que começou a aparecer no Brasil. Causou polêmica esse texto pois ele não era SxE e os hardline acharam isso um absurdo), Paulo Marcos (Thelema).
Além do selinho da Tilt, esso zine agora era apoiado pela SZA (sociedade dos zineiros anônimos), criado pelo Paulo Thelema.
Foi um divisor de águas pra mim, e provou que realmente eu tinha algum problema na cabeça...


Aaah!! - n° 4 - 1994 (pôster)



Como se não bastasse ter lançado um zine de 120 páginas, optei em botar um pôster como brinde dessa edição.
Essa inspiração de colocar esse tipo de brinde veio do Escarro Napalm do velho de guerra Adelvan Kenobi.
Porém, ao invés de montagem de fotos, optei em fazer uma obra de arte por várias mãos.
Qual era a minha ideia? Peguei uma folha de A3 (tamanho de dois sulfites A4 juntos), fiz uma borda e um desenhinho logo abaixo. Botei num envelope e fiz uma relação de nomes de pessoas que eu gostaria que rabiscassem o papel. Cada um que recebesse a folha, teria que fazer uma ilustração que tivesse a ver com o nome do zines, mas que meio que se emendasse um no outro. Aí, o cara que desenhasse, teria que mandar via correio a folha para o próximo da lista. E assim foi...
Não me lembro exatamente quem desenhou primeiro, mas sei que quem desenhou por último foi o Paulo Gomes (do fanzine Putrid e baterista do Necrorrosion). Antes dele, rabiscaram o papel: Hugo Leta, Bruno Furnari, Henry e Maria Jaepelt, Oscar F. (fanzine Sonic - Goiânia), Márcio Jr (vocalista do Mechanics - Goiânia), Tunão (da banda The Still - Araraquara), Kevin (do fanzine Glunx - não me lembro a cidade), Celso Moraes (idem) e Sylvio Ayala (não lembro o nome do zine).
O resultado é esse. Ficou lindão e eu guardo com muito carinho!

sábado, 14 de agosto de 2010

MADONNA - EMMY & THE EMMYS


Falar de Madonna no Zinismo é quase como encaixar pinos quadrados em cavidades triangulares, mesmo assim vale a tentativa...
Na verdade, o foco está no lançamento de um vinil colorido 7” da Emmy & The Emmys , banda dos anos 80 que tinha a Madonna como vocalista e guitarrista. Iniciativa do selo Jump Up Records, este disco traz duas gravações perdidas de suas músicas com influências da New Wave e do Ska 2tone. Antes do Emmy & The Emmys ela tocou bateria e cantou no Breakfast Club...
depois do Emmy...nem vem ao caso.






sexta-feira, 13 de agosto de 2010

JELLO BIAFRA NO BRASIL.


Zinismo informa: os ingressos para os shows do Jello Biafra And The Guantanamo School Of Medicine em São Paulo começam a ser vendidos na próxima semana.



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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

FIX: DOCUMENTÁRIO SOBRE O MINISTRY

Esse documentário não é indicado para pessoas de coração (ou estômago) fraco. Segura a peruca, que vem insanidade de primeira categoria por aí...



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VALORES MODERNOS










QUINO RULEIA !

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

CANAL DA REVELATION NO YOUTUBE

Vamos voltar no tempo. Fundada em 1987, a Revelation Records fez história durante os anos 90, lançando discos fundamentais do hardcore/punk/emo. O selo está na ativa até hoje, mas seu período de ouro ficou mesmo no passado. Para resgatar um pouco dessa história, eles criaram um canal no Youtube onde estão subindo alguns videoclipes raros e entrevistas. Seguem algumas preciosidades logo abaixo, mas tem muito mais esperando por você no RevChannel.












Além do recurso audiovisual, a Revelation segue contando a história do hardcore através das palavras. Saiu em junho o livro "Why Be Something That You're Not: Detroit Hardcore 1979-1985" (Tony Rettman), que mostra o nascimento e desenvolvimento da cena hc em Detroit, uma das mais fortes e influentes nos EUA. Mais detalhes sobre o livro aqui.


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terça-feira, 10 de agosto de 2010

MEMÓRIAS DE FANZINE - AAAH - # 1 e 2

Costumo dizer que as redes sociais são como qualquer ferramenta, sua finalidade pode ser boa ou ruim, dependendo da intenção do usuário.

Estes dias me deparei no facebook com alguns textos interessantes do fanzineiro Márcio Sno. São reflexões ou memórias pessoais sobre sua experiência com os fanzines. Vale a pena a leitura, dá para sentir (ou relembrar) um pouco da época (anos 90) e também acompanhar a trajetória do zineiro, suas expectivas, desafios, resultados...

Percebi que era um documento interessante demais para ficar restrito ao facebook e cá está ele, compartilhado com os leitores do ZINISMO.

Neste primeiro capítulo, os zines AAAH # 1 e 2!

ZINISMO RECOMENDA!


Aaah!! n°1 - 1993


Lembro-me como se fosse hoje: estava eu no ônibus indo trabalhar, cochilando (estilo a MC Creide: eu cochilo, mas sempre de olho aberto!) e pensando no que fazer da minha vida. E veio uma ideia na minha cabeça que me fez abrir os olhos quando o ônibus, na 23 de Maio passava ao lado do Centro Cultural Vergueiro.
"Vou fazer um zine!" E essa ideia me perseguiu sem que eu pudesse evitar.
Na escola, à noite, passei a desenhar um rato pelado gritando. Pronto. O nome e a capa do meu primeiro fanzine estava esboçado na última página do meu caderno. Ainda tenho esse desenho original.
Essa capa, aliás, deu um trabalhão pra dar esse efeito de palha no fundo. Mas deu um certo prazer quando terminei. Mais tarde esse mesmo desenho virou estampa de uma camiseta única e exclusiva que só eu tive coragem de usar.
Nessa edição sairam bandas como Scum Noise, Intense Manner of Living, Anjo dos Becos, Ñrü, Flesh Temptation, entre outras. Claro, a maioria era releases, mas eu estava feliz em entrar com o pé direito nesse estranho e enigmático universo dos fanzines...


"Aaah!! - n° 2 - 1993"


Depois do lançamento do meu primogênito, passei a conhecer mais pessoas do meio dos zines. Muitos por carta e pouquinhos pessoalmente.
Uma vez teve uma feira de fanzines na Livraria Belas Artes, na Paulista quase esquina com a Consolação, que não pensava em acessibilidade universal, já que tinha uns degrauzões gigantes para entrar nela. Essa livraria era bastante conhecida pelos seus livros de arte e histórias em quadrinhos.

Um dos organizadores, Guto Galli, que era funcionário da livraria, me apresentou o grande ilustrador MZK (até então eu desconhecia a grandeza desse cara no meio das HQs). Conheci também, o Carneiro que na época era vocalista da badalada Mickey Junkies (que aliás saiu na primeira edição do Aaah!!). Mas a pessoa mais importante que conheci nesse dia, meio que "se ofereceu" a me conhecer, já que ele conhecia a banda que estava estampada na minha camiseta: Soutien Xiita (sim, aquela que tem o cachorro comendo um guarda - polêmica!). Hugo Leta é seu nome. Trocamos muitas ideias e fizemos juras de amor eterno. E nessa história toda, ele acabou me emprestrando alguns desenhos originais (veja só, tinha acabado de conhecer o cara e ele me emprestou todos os originais dele!). Xeroquei tudo e usei nesse zine e nos que vieram depois. Quando peguei esse que virou capa, eu já tinha certeza que o lugar dele seria ali mesmo: na frente de tudo, puxando a segunda edição do zine. Se olhar com certa atenção (na verdade, nem precisa muita!), onde está o logo do zine, eu fiz uma emenda, pois o desenho dele acabava ali mesmo.

Nessa edição saiu muuuuuuitos releases, entrevista com Penitence, Carnal Desire (numa das minhas idas ao Der Temple para um show com o Anarchy Solid Sound e Soutien Xiita, conheci o fantástico Tarso Carnal), Death Hate, a clássica Dezakato, Hirkania, A minha primeira grande entrevista com Ñrü, com o fanzineiro Danúbio Aguiar (nesse caso, ele havia respondido impresso em uma impressora matricial, e como eu só usava máquina de escrever, aproveitei a impressão, mesmo saindo quase transparente).

Tinha também entrevistas com o Flesh Temptation, uma banda death de Brasília, que era uma das únicas que tinha disco de vinil lançado, com o recém formado White Frogs, vejam vocês!

Ah, nessa edição, também contei com a colaboração de textos do grande amigo Alcir, que na época tocava na banda grind Hinfamy.

Sei lá. Só sei que depois desse zine meu círculo de amizades passou a aumentar a cada dia...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

KLAXONS ECOANDO

No próximo dia 23, chega às prateleiras (finalmente) Surfing The Void, o segundo álbum dos ingleses do Klaxons.

Acho que esse disco é aguardado ansiosamente desde o segundo seguinte ao lançamento do ótimo Myths Of The Near Future, o primeiro “full lenght” da banda.

Foi uma gestação difícil que demorou três longos anos, mas ao menos, podemos dizer que o primeiro single, Echoes, compensa a espera!

O Zinismo deixa o vídeo de Echoes aqui de presentinho para vocês!

Agora, é aguardar e torcer para que Surfing The Void tenha tantas músicas boas e tantos hits como Golden Skans, Atlantis to Interzone, It’s not over yet, The Bounce, enfim, você conhece a lista!

Meanwhile, just dance!



Ah! Sim! Eu poderia dizer que o clipe foi gravado no Egito, tem um puta climão Pink Floyd Live at Pompeii, mas esse refrão não me deixa pensar em muita coisa além dele mesmo!

domingo, 8 de agosto de 2010

2º ENCONTRO DE DEVOIDES



Dia 28 de agosto acontecerá o 2º encontro brasileiro de DEVOides em São Paulo. Entre aparatos e curiosidades, “Something for Everybody”, disco novo do grupo, poderá ter seu conteúdo debatido no evento...

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sábado, 7 de agosto de 2010

FANZINEIROS DO SÉCULO PASSADO - DOCUMENTÁRIO

O lendário zineiro Márcio Sno teve uma iniciativa fantástica.
Retomou o contato via e-mail com seus velhos comparsas fanzineiros do século passado e começou uma discussão a respeito da produção de um documentário sobre a cena dos fanzines, que foi intitulado FANZINEIROS DO SÉCULO PASSADO (poderia ser do milênio né?). A troca de ideias por e-mail evoluiu e foi aberta uma página de discussão no NING. Ex fanzineiros do Brasil inteiro apareceram e muitos deles dispostos a filmar partes do documentário em suas regiões.
E assim segue a produção do documentário, de forma independente e simultânea por todo o Brasil.

Abaixo o primeiro trailer do projeto, com o não menos lendário Leonardo Panço:



Ah, se você não baixou o indispensável FANZINES DE PAPEL, espécie de manual sobre a história e feitura dos fanzines feita pelo SNO, pegue o link aqui!

Se quer fazer parte do projeto, mande um e-mail pro chefe: marciosno@hotmail.com

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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

INDUBTÁVEL REGGAE DOCUMENTO


Na ocasião de seu lançamento no mundo virtual, o documentário “InDubtavél Reggae Documento”, de Willian Sernagiotto, ganhou evidência aqui no Zinismo. Agora este trabalho que trata do circuito reggae, dub, ska e vertentes está com sua primeira exibição pública marcada para esta sexta, dia 06 de agosto, no Cidadão do Mundo em São Caetano do Sul (SP).











Documentário com concepção, edição e produção de William Sernagiotto e VDA Filmes. Faz um panorama sobre o cenário ska/reggae/dub paulistando depois dos anos 90 através de shows, entrevistas e depoimentos de Victor Rice, Firebug, Sapobanjo, Maleducados, Nyahbing e muito mais.




RAEL BRIAN - EXPO RAIVA ESPIRITUAL – EM BALNEÁRIO CAMBORIÚ (SC)

expo

Amanhã a tranquilidade da pacata cidade de Balneário Camboriú será abalada pela fúria de Rael Brian Rau. O skater, músico e artista plástico de 22 anos, natural de Brusque (SC), leva sua Raiva Espiritual para a Galeria Municipal de Arte FCBC.

Colagens “sujas e perturbadoras”, como bem definiu Kauê Garcia (artista plástico e o homem colagem!), dão tom a expo, e voz a mente de Rael, que já é apontado como uma revelação nesse novo cenário de arte nacional. Muita influência de skate, punk rock, Sesper, Carlos Dias e Raymond Pettibon, formataram o estilo agressivo e cheio de sinceridade.

A maturidade e evolução de Rael, que produz suas obras desde 2005, podem ser conferidas nessa exposição. Além disso, Rael ainda mostra sua faceta músico, já que o Beyond Trash Wall, banda onde o próprio empunha a guitarra e grita com raiva, faz um pocket show para animar e dar o clima ideal à sua Raiva Espiritual.

Ao melhor estilo Marcelo Viegas, conversei com o Rael, e agora segue mais uma da série: “Entrevista de um pergunta só” (já é um “crássico” do Zinismo!)

Zinismo: Sua obra tem uma agressividade que combina mais com uma megalópole como São Paulo do que com a realidade um pouco mais amena de Brusque (SC). Esta agressividade é resultado do envolvimento com o Punk Rock e com o Skate?

Rael Brian: Total. Se não fosse os dois eu não estaria nessa hoje. O punk rock e o skate me ensinaram muitas coisas, a principal é o DIY, que não se precisa estudar e ter uma técnica sei lá, “acadêmica”, pra fazer música e arte. Basta fazer com o coração na boca, saca? Como se fosse o último dia do mundo... Um bagulho sincero, e que se foda o resto! Tem muita gente que fala para eu mudar meu estilo e lalala, porque nunca vou poder viver da arte assim com essa sujeira toda... Mas mano, quero que se foda, faço a parada do meu jeito e o resto que se dane...

Morar aqui em Brusque é foda, cidade pequena, 100 mil habitantes… Pensa no que rola... Aí tenho que direcionar isso pra alguma coisa, pra arte, fazendo música, fotografia, skate...



A dica está dada! E não duvido nada de que o Rael ainda cole na fita de skate, mandando os seus já famosos Boneless!

Zinismo Recomenda!

rael_boneless foto por: Vitor Ebel

Exposição "Raiva Espiritual"
RaelBrian
Abertura: 06 de agosto de 2010 (sexta-feira)
Horário: 20h e 30 min
Local: Galeria Municipal de Arte
Rua 2412, n 111, Centro - Balneário Camboriú
Período da exposição: 09 a 27 de agosto de 2010
Pocket Show: Beyond Trash Wall

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

CONVOCAÇÃO GERAL - IV ENCONTRO DE ZINEIROS



Um grupo de zineiros paulistas tem promovido um encontro periódico para fortalecer a "causa zineira". Nestes encontros, além da tradicional troca e compra de fanzines, é possível conhecer os rostos por detrás do papel e principalmente, firmar pessoalmente a amizade que já existe via carta ou e-mail

Neste sábado rola o IV encontro, com show de punk rock e hardcore, intervenção de arte urbana, bons amigos... Tá esperando o quê?

Segue a convocação na integra:

Amigo fanzineiro,

No próximo sábado, dia 07 de agosto a partir das 23:00 horas, a Cultural B irá promover no Cidadão do Mundo o lançamento do cd “Superação Punk Rocker” da banda Esquisitosomos de São Bernardo do Campo. A abertura ficará a cargo do Overlife Inc. Além do IV Encontro de Zineiros com exposição de diversos zines, haverá uma intervenção artística do grafiteiro Daniel Melin durante o evento. Dando seqüência nas comemorações dos 20 anos do Aviso Final zine, estarei lançando a edição # 27 - especial do Olho Seco - que vem acompanhada do cd European Tour 99.

Cidadão do Mundo – Rua Rio Grande do Sul, 78 – centro – São Caetano do Sul

Ingressos: R$ 10,00.


ZINISMO RECOMENDA!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

FANZINOTECA MUTAÇÃO - ENTREVISTA COM LAW TISSOT



O professor de artes visuais e ilustrador Law Tissot conseguiu colocar em prática o sonho de muitos fanzineiros. Em um espaço físico localizado em uma antiga estação de trem (em Rio Grande – RS) funciona a FANZINOTECA MUTAÇÃO.
Neste espaço pode-se consultar um belo acervo de fanzines, xerocá-los por um preço módico e ainda participar de oficinas de graffiti , lambe-lambe e arte postal.
Conheça mais sobre este espaço na entrevista abaixo:



ZINISMO: A primeira pergunta é clássica: como se deu seu envolvimento com a cultura underground e com os fanzines?
LAW TISSOT: É difícil pecisar um "ponto zero", mas com certeza sem o Movimento Punk nada teria acontecido. Viver o espírito das ruas naquela época foi muito rico em todos os sentidos. Tem coisas que só as ruas fazem por nós. E no aspecto da arte, então, em plena abertura política dos anos 1980... Foi um privilégio ter sido adolescente naquele momento da nossa história, e ter encontrado todos aqueles caras.

Como foi o processo de criação e estabelecimento da FANZINOTECA MUTAÇÃO?
Eu sempre tive um grande entusiasmo pelos fanzines desde quando os conheci, provavelmente em 1983, 1984... Essa paixão aumentou quando comecei a fazer os meus próprios zines e entrar naquela rede de trocas e contatos pelos correios. Daí nasceu um desejo de ter um local para manter um acervo público de zines. Mas isso demorou muito, porque levei uma vida de aventuras urbanas entre os anos 1980 até 1999. Em 2001 entrei para o Curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande e aos poucos fui me envolvendo com outros aspectos da cultura brasileira. Com isso cheguei aos companheiros do Ponto de Cultura ArtEstação e através de um edital da Funarte (Interações Estéticas 2009) pude legitimar esse sonho, com espaço físico adequado, catalogação, copiadora e todo o resto... A maior dificuldade está em conseguir zines das décadas de 1980 e 1990, temos recebido muitas doações, é verdade, mas bem sabemos que a quantidade de zines e zineiros neste país foi enorme. Muita gente desapareceu na história e muitos zines - lamentavelmente - nunca mais serão lembrados.

Acredito que a Fanzinoteca mutação possibilite o primeiro contato de muitos leitores com os fanzines. Como você observa tal interação?
Existe uma nova geração que tem uma grande distância de tudo isso, do que vivemos e do que significa editar, reproduzir, distribuir um zine, com todos os elementos - do xerox aos correios - então, às vezes, por mais que eu me esforce e me entusiasme com as explicações, o pessoal prefere mesmo é ficar apenas conectados nas suas redes sociais e nos blogs (no caso do blog é muito curioso, pois os vejo como filhos digitais dos zines, em um certo sentido é claro). Mas é importante dizer que aqueles que fizeram - ou ainda fazem - parte do mundo dos zines são os que mais se emocionam (mesmo!) com nosso espaço, acervo e ações.


Você associa o maior acesso à internet e tecnologia como responsável pelo declínio da produção dos fanzines nos anos 00?
Não tenho uma resposta certa a respeito disso. Não creio que foi apenas a internet, na medida em que temos como exemplo o Zinismo, onde existe uma excelente relação entre o uso da internet e a produção / fomento dos zines. São muitos fatores que podem ter esfriado toda a cena underground. Por um lado as transformações são inerentes a cultura humana. Mas existem muitos companheiros fazendo algo para manter os zines vivos, é isso o que importa na verdade.

Como professor de artes visuais, gstaria que falasse um pouco sobre a linguagem e estética própria dos fanzines.
A liberdade criativa dos zines são a sua maior identidade, assim podemos experimentar todos os formatos, linguagens e poéticas que nossos talentos alcançarem.

Qual sua percepção sobre a cena zineira atual no Brasil e no mundo? Qual o lugar dos fanzines nos dias de hoje?
Existem nomes importantes hoje, que mantem os zines num nível de propagação bastante atraente, como é o caso do Fábio Zimbres, através da Mostra Transfer . Tem a cena de Fortaleza, com o Weaver, Lupin, Paulo Amoreira, JJ Marreiro... visitei essa turma em março e fiquei assombrado com tanta energia circulando. O Brasil é mesmo muito vasto, através da fanzinoteca tenho me surpreendido bastante. Mantenho contato com a cena de Portugal desde os anos 90 e através deles chego a outros países da Europa. Lá, me parece, os zines atingiram um outro aspecto. Mais sofisticado até. Acho que os fanzines brasileiros, quando inseridos - e se relacionando - com todas as manifestações da arte urbana contemporanea poderão encontrar uma identidade bem interessante.

Gostaríamos que fizesse uma pequena lista de bons fanzines e blogs para os leitores do zinismo, podem ser vivos ou mortos...hehe
É uma pergunta curiosa, pois eu tenho uma relação passional com qualquer espécie de zine. Não conseguiria eleger os melhores. Prefiro que os leitores do Zinismo acessem o blog da nossa fanzinoteca e descubram os zines do nosso acervo e todos os links que dispomos. Será uma experiência muito interessante, acredito!

Espaço livre para manifestação:
Gostaria que me escrevessem (tissot_law@yahoo.com.br) que prometo responder sempre. Quem puder visitar o sul do RS, venha até a cidade do Rio Grande e conheçam a nossa fanzinoteca. Quem puder doar um zine, melhor. Nossa idéia é ampliar cada vez mais nosso acervo de zines e preservar para as gerações futuras o maior número possível de exemplares, com seus conteúdos incríveis e idéias mirabolantes de seus autores.

ZINISMO RECOMENDA: visite o blog, mande e-mail e envie o seu fanzine! A causa agradece!

Ilustrações por Law Tissot.