sábado, 29 de dezembro de 2012

METAMAUS




Ter um relacionamento próximo com o próprio pai, não é a coisa mais comum quando um homem chega à fase adulta. Por vários motivos. Um deles é termos maturidade e convivência suficientes para sacar que aquele espelho tem lá seus inúmeros defeitos e, quase sempre, não é mais possível engolir tudo que vem do velho. Aí surgem os conflitos e, consequentemente, o afastamento. Quando o pai já caminha para a “reta final” da vida, a necessidade da reaproximação por parte do filho é quase sempre latente. Nem sempre dá tempo de recuperar esse tempo. Mas às vezes dá.

Allan Sieber fez isso em Ninguém me convidou, no qual conta a história de seu pai, com o roteiro do filho e desenhado por Jouralbo Sieber. Duas décadas antes, Art Spiegelman contou a história de seu pai em Maus – A história de um sobrevivente.

A história de vida de Valdek se passou no holocausto e, com os relatos do protagonista, é possível observar a história de dentro dos campos de concentração, câmaras de gás e fornos onde eram queimados os judeus mortos. Além de mostrar o sofrimento do pai nesse período  vergonhoso da história da humanidade (entre eles, a perda de sua então esposa Anja), Art também opta em mostrar a figura parterna além de Auschwitz, explicitando o quanto era ranzinza, mesquinho e preconceituoso.

Como as entrevista que fez com o pai foram repletas de momentos tensos, Art aparece como personagem da história. Mas isso é muito pouco diante da audácia do autor para dar sua versão ao holocausto: retratou os judeus como ratos, os nazistas como gatos e os poloneses como porcos. É lógico que isso iria lhe trazer problemas (e de fato deu), mas independente de qualquer repercussão ou manifestação que se fez com o lançamento desse livro, Maus se tornou uma das mais importantes graphic novels de todos os tempos.


Décadas depois do lançamento, Spiegelman ainda tinha que responder a perguntas do tipo: “por que HQ?”, “por que rato?”, “por que o holocausto?”. Para dar um basta definitivo nisso, surge então em 2011, via Pantheon Books, o MetaMaus.

O livro é conduzido por uma entrevista (ou conversa) cedida a Hillary Chute,  dividida em capítulos que têm como títulos as mesmas perguntas sempre fitas ao autor.

É um material completo que, além de rascunhos, reproduções de anotações e estudos em sketch books, fotos, transcrição da entrevista com pai, entrevista com a esposa e filhos do autor, também vem um DVD com os dois volumes de Maus digitalizados do original, com recursos multimídia que mostram os estudos de cada quadro, áudio com comentários Art e trechos da entrevista com Vladek. Coisa fina.

Tem uma porção de curiosidades, como as dúzias de rascunho que fez de um único quadro, as cartas das editoras que recusaram publicar o livro, o relato dos três casamentos com a mesma mulher (sendo que no último contou com a banda de Robert Crumb), os conflitos com a imprensa e protestos que enfrentou em diversos lugares, as crises que teve (e tem) em relação a tudo isso.
Enfim, os próximos repórteres terão que se desdobrar para entrevistá-lo a partir de agora!



Essa publicação é algo bem além de um livro para fãs de Maus, é um documento muito interessante que ajuda a entender melhor as técnicas de desenho, as soluções para encaixar determinado quadro em tal lugar e para obter mais conhecimento sobre o holocausto.

Ainda não tem previsão de uma edição brasileira, mas vale a pena gastar uns dolarezinhos pra conferir esse material incrível. Também é possível achar em algumas livrarias nacionais a um preço "quase honesto", porém, vale cada centavo gasto.

Abaixo, um clipe para atiçar as suas lombrigas!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

COLETIVA FOTOGRÁFICA EM SBC


Não foi pra praia? Tá de bobeira em São Paulo nesses últimos dias do ano? Então aproveite a cidade vazia, a quase ausência de trânsito e visite a expo Coletiva Fotógrafica #01, na Nano Galeria, em São Bernardo do Campo. Entrada gratuita, e ainda dá pra fazer um programa duplo de arte, afinal basta atravessar a rua pra colar na Pinacoteca da cidade (e também ver ao vivo o mural feito por Daniel Melim, Cena7 e Emol). Tudo no vasco!

Ah, o projeto gráfico (olha que belo flyer logo acima) ficou a cargo de Daniel Justi. A Nano Galeria estará aberta até sexta, dia 28 de dezembro, e reabre no dia 03 de janeiro.

O Zinismo, com já foi explicado noutras oportunidades, não compactua com a política nefasta do copy/paste. Mas, como fui eu que escrevi o texto da expo, então tomo a liberdade de realizar um autoplágio, ou algo que o valha...

COLETIVA FOTOGRÁFICA #01

A exposição COLETIVA FOTOGRÁFICA #01, da Nano Galeria, reúne trabalhos autorais de cinco novos nomes da fotografia do ABC Paulista. Sendo mais específico, de São Bernardo do Campo, morada de todos eles. Juliano Fordiani, Maíla Barreto, Rachel Macoriello, Denize Viegas e Denilson Takeda. Além de residirem na mesma cidade, são todos amigos. Parceiros de risadas, ideias e bons sons. Os laços que os unem, entretanto, não determinam – necessariamente – uma similaridade na produção e no olhar fotográfico. As obras selecionadas e apresentadas nessa exposição mostram caminhos e conceitos variados, ainda que existam intersecções possíveis.

Nesse momento, em que “qualquer um” pode ser fotógrafo (basta ter um telefone celular, internet e uma conta no Instagram), e no qual o digital vem batendo sem dó no analógico, a aposta numa expo fotográfica não tem apenas o viés artístico. É quase um posicionamento ideológico. Ou, no mínimo, um exercício de estabelecer critérios à respeito do que é digno o suficiente de ir para parede. Exercício/desafio que também ocupou a cabeça dos fotógrafos durante a montagem, na hora de escolher a imagem certa para mostrar, e que resulta na certeza da exibição de registros que merecem muito mais destaque do teriam numa diminuta telinha de celular. Trata-se, no fundo, de fincar bandeira e posição: se a foto é boa mesmo, ela vai pro papel. (Marcelo Viegas)

Os fotógrafos

Juliano Fordiani: atacou em duas frentes, como artista participante da mostra e também como curador. Fotógrafo há 12 anos, é sócio-proprietário do Liquid Studio, um estúdio voltado para empresas, que produz fotos de produtos e modelos para catálogos, lookbooks e publicidade. Além, é claro, das fotos autorais, como as dessa exposição, também captadas no estúdio. O título da sua série é Espaço Líquido.

Maíla Barreto: 33 anos, nascida e criada nas ruas do ABC Paulista. Começou a fotografar mais sistematicamente há seis anos. Fez alguns cursos de fotografia, e complementou os estudos com os cliques do dia a dia. Atua principalmente nas áreas de eventos e fotojornalismo. Trabalha no jornal Diário do Grande ABC. E garante que o nome do trabalho autoral apresentado nessa expo tem tudo a ver com ela: Cabeça nas Nuvens.

Rachel Macoriello: publicitária, sagitariana, teve uma época que só gostava de Weezer. Começou a fotografar em 1998. Fez curso no Senac, mas aprendeu de fato registrando as bandas dos amigos, as viagens, os cachorros vagabundos de praia, etc. É sócia-proprietária do Liquid Studio. E fala sobre as fotos que decidiu expor: “Tento mostrar o lado bonito do cinza, da melancolia, da saudade, da tristeza e da não nitidez.”

Denize Viegas: abandonou um trabalho chato num banco para ganhar a vida fazendo o que gosta, fotografar. Estudou na Escola Oficina de Artes, e sua área de atuação profissional é fotografia social. É sócia da produtora Flor de Lótus Fotografia. O material dessa exposição é uma parte da séria Desejos, de cunho sensual, que vem desenvolvendo há algum tempo. “A proposta é transformar o público em voyeur”, afirma.

Denilson Takeda: o sempre cambaleante Denilson, equilibrando a cerveja, o cigarro e a câmera fotográfica, onde quer que esteja. Aos 28 anos, atualmente cursa Bacharelado em Fotografia no Senac. O nome do material que está apresentando é 4, uma referência aos quatro anos em que vem registrando seus amigos, família e até ele mesmo. “O principal foco é a documentação da minha intimidade. Não sei explicar”, diz, tentando parecer sóbrio.

Serviços:

NANO GALERIA

Período: 08 de dezembro a 09 de março de 2013
R. Kara, 74 – São Bernardo do Campo/SP
11.43672874
nanogaleria@gmail.com
Visitação: Terça à Sábado - das 11h às 18h
Entrada Gratuita


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

NO COMPLIES & WALLRIDES + SHUVITS

Pontus Alv é um skatista e videomaker sueco. Isso diz pouco, pois seu trabalho é digno do rótulo para muitos maldito: artista.

Seus vídeos de skate são exercícios artísticos, experiências audiovisuais de bom gosto, que agradam esteticamente os não-skatistas e enchem os skatistas de vontade de sair pra rua e andar de skate.

E acaba de sair mais um vídeo feito pelo cara, para a marca Polar.

11 minutos de deleite visual e sonoro...



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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

CURSIVE: AGORA VAI!

Agora vai! Cursive no Brasil, confirmado. Esse final de semana, com shows no Rio (16/12) e SP (15/12). Veja os dois cartazes logo abaixo:





ABERTURA


O Memorial da Resistência, em São Paulo (SP), sempre tem exposições legais. E historicamente relevantes. Dia 15/12 abre mais uma dessas, Transições - Das Ditaduras às Democracias na América Latina. Zinismo recomenda!


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O PRIMEIRO A GENTE NUNCA ESQUECE



Aparecida é uma cidadezinha no sertão da Paraíba, oito mil habitantes apenas. Segundo consta, nunca tinha acontecido um show de rock por lá. Mas as bandas paulistas Sin Ayuda e Hierofante Púrpura trataram de tirar o cabaço. Protagonizaram o primeiro show de música rock da história de Aparecida (veja o vídeo logo acima). O Zinismo acha isso muito foda: se as bandas acabarem amanhã, poderão dizer que tiveram pelo menos um feito memorável, daqueles, nos currículos. Um feito para poucos.

Trocamos uma ideia com Diego Xavier, um dos guitarristas da banda Sin Ayuda, pra descobrir como isso aconteceu: "Então, o Sin Ayuda faz parte de um selo de Macéio/AL. Tudo que lançamos foi por eles, e faz tempo que queríamos ir pra lá. Esse ano finalmente calhou da gente ir tocar no Festival DoSol e no Festival Maionese. Aí, junto com o selo, fomos conseguindo as datas. E pra nossa surpresa rolou esse aí! A gente também nem sabia, quando chegamos lá o pessoal disse que seria o primeiro rock de lá. Cidadezinha pequena, tocamos na principal praça, do lado do mercado municipal. Foi do caralho, porque lá o forró domina forte! E a molecada e os jovens curtiram bastante a barulheira, os mais velhos olhavam sem saber o que estava acontecendo ali... hahahaha"

Veja um trecho dessa apresentação histórica do Sin Ayuda:



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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

DESOSSANDO ENDOAPOCALIPSE


O zinista Flávio Grão pode ser considerado um dos zineiros mais audaciosos da atualidade. Como se não bastasse lançar um zine como todo ser normal (ou com as faculdades mentais pouco danificadas), resolveu fazer uma versão em formato de livro.


E justiça seja feita: o trabalho e dedicação que teve para produzir essa história justifica cada centavo gasto nesse grande empreendimento. Afinal, é difícil descrever a grandiosidade dessa obra e o marco que representa dentro das publicações independentes.

Grão, com seu traço grosso e que remete à xilogravura, conta uma história sem usar uma única palavra, ou mesmo algum quadro, apenas conduzindo o leito por meio de ilustrações sequenciais que o conduz por um mundo imaginário (ou não). Ao mesmo tempo que o leitor (ou observador) tenta decifrar as mensagens subliminares, é conduzido à reflexão do mundo e de si. O caos conduz todo esse universo em plena ebulição.

Endoapocalipse é o terceiro número da série Manufatura. Todas as demais histórias seguem no mesmo estilo poético-filosófico, sem textos, balões e quadros, tornando essa a fase mais marcante e intrigante na obra de Flávio Grão.

Esse mais recente lançamento ganhou até um vídeo clipe:



Por ser uma obra ímpar, esse material merecia uma análise profunda e, em um e-mail para o autor, o Doutor em Educação, zineiro, ilustrador e sábio Elydio dos Santos Neto fez um raio-x da publicação, a qual autorizou para postarmos aqui no Zinismo.

O estudo feito por Elydio se divide em duas partes: uma em que deu uma olhada despreocupada, sem se aprofundar em detalhes; e outra já fazendo uma análise mais cirúrgica.

Atenção: o texto abaixo contém SPOILER! Caso prefira decifrar Endoapocalipse de sua forma, sem influências, recomendo que leia a produção de Elydio depois de tirar suas próprias conclusões...

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Minha sequência de leitura/visualização, a partir da qual, escrevo meus comentários, foi feita da seguinte maneira:

1. Ocupei tempo em decifrar, para mim, o que significa a expressão Endoapocalipse;

2. Fiz uma primeira leitura, sem maiores preocupações, mas já influenciado pela minha compreensão de Endoapocalipse;

3. Li seu processo de produção da obra;

4. Fiz a minha segunda leitura, agora com suas informações.

O significado de endoapocalipse para mim, Elydio

O prefixo grego ENDO significa para dentro, interno. De meu pouco conhecimento sobre a Bioenergética sei que tudo o que é ENDO está relacionado aos nossos tubos internos, da boca até o ânus, e tem a ver com o mundo das nossas emoções e como lidamos com elas. Segundo esta corrente de psicoterapia também o formato de nossos corpos é definido a partir de como lidamos com o nosso mundo ENDO. APOCALIPSE é caos, guerra, morte, transformação, fim de um tempo, passagem, mudança.

Assim o Endoapocalipse começou a se desenhar para mim como uma narrativa de conflitos apocalípticos motivados pelo desequilíbrio do mundo interno, de modo especial do mundo relativo às emoções.

A primeira leitura de ENDOAPOCALIPSE, rápida e sem maiores preocupações

Chamou-me a atenção o fato da narrativa começar com uma criança, assim interpretei, lendo um livro. Fanáticos aproximam-se. Há luta pelo poder e para destronar o poder assumido. Na luta percebe-se que há o grupo dos “mascarados de madeira” e o grupo daqueles que não se desumanizaram. Há morte, transformação e libertação, mas volta-se às crianças consumindo uma fruta de madeira que pode ser o recomeço de novo ciclo de desumanização.

Minha observação sobre seu processo de produção desta narrativa

Gostei demais de ter lido a narrativa da produção. É muito interessante ver como a obra foi sendo construída: o primeiro passo, as intuições, as dúvidas, as possibilidades, as tentativas, as insatisfações, os rabiscos, as escolhas, os cortes, a influência da linguagem dos quadrinhos, o aspecto fanzineiro em diálogo com o livro-arte, a aproximação à outra linguagem artística. Muito legal. A leitura do processo de produção também me confirmou a interpretação que eu vinha fazendo sobre as máscaras de madeira. Inicialmente não tinha bem certeza se era isso, embora houvesse muitas evidências que me encaminhassem para esta leitura. As explicações sobre as torres, o barril de madeira e as máscaras foram fundamentais para mim.

Embora sua narrativa não seja, a rigor, uma história em quadrinhos, eu a li como uma narrativa de história em quadrinhos na qual o requadro se identifica com cada página-suporte, embora não haja textos, nem balões, nem recordatórios. Cada página é, para mim, um grande requadro.

Minha segunda leitura, após a leitura de seu processo de produção



Quadro 1 – Um menino lê, encostado numa pedra, sob uma árvore, um livro que ensina algo sobre máscaras de madeiras. Talvez ensine sobre como ser um mascarado. Uma tempestade se aproxima no horizonte.

Quadro 2 – A tempestade traz algo que é ameaçador, embora não seja claro exatamente o que é.

Quadro 3 – Aproximam-se seres portando sobre suas cabeças torres de poder. Estão como numa marcha ou numa procissão. Empunham estandartes. É uma caminhada de afirmação de poder. Lembrou-me muito a conservadora TFP (Tradição, Família e Propriedade).

Quadro 4 – Do quarto um ser humano observa. Ele está deitado. Parece não ter força nos membros do corpo.


Quadro 5 – Esse alguém no quarto é diferente. Sua cabeça tem a ver com a madeira, com a árvore, com um transformação interna na qual sua humanidade vai sendo esquecida. Quadro 6 – O processo se completa. O ser agora é um “cabeça de madeira”. No chão vêm-se muitas máscaras de madeiras amontoadas, o que parece um sinal de que o processo de transformação em cabeça de madeira é um processo social que envolve muitos e que se perde no tempo.


Quadro 6 – O processo se completa. O ser agora é um “cabeça de madeira”. No chão vêm-se muitas máscaras de madeiras amontoadas, o que parece um sinal de que o processo de transformação em cabeça de madeira é um processo social que envolve muitos e que se perde no tempo.


Quadro 7 – Mostra o “processo educativo madeirante”, isto é, o processo educativo segundo o qual na convivência com adultos cabeças de madeira, as crianças também vão se transformando em cabeças de madeira. Esta imagem me lembra muito do conto de Rubem Alves: “Pinóquio às avessas”.

Quadro 8 – Mostra uma mulher cabeça de madeira. É um feminino que está tão preocupado com seus aspectos externos (maquiagem, compras, roupas...) que esqueceu seu aspecto ENDO e acabou se desumanizando. À sua volta as coisas pegam fogo, mas ela não percebe.

Quadro 9 – Um ser, cabeça-de-torre-de-madeira, mostra seu poder e está liderando uma massa de cabeças de madeira. Eles puxam “cordas” que estão ligadas ao céu. A sensação que se tem é que puxar as cordas do céu daquela maneira, como se fossem abri-lo, é uma atividade que dá muito poder.

Quadro 10 – Aparecem muitos cabeças de madeira puxando cordas do céu como para romper certa ordem e introduzir o caos.

Quadro 11 – A partir deste quadro o caos apocalíptico, doENDO, começa a aparecer com maior clareza. Aqui, por exemplo, um soldado cabeça de madeira carrega uma enorme bomba, com certeza para se detonada e introduzir destruição no céu rompido por meio da GUERRA.


Quadro 12 – Outro ser, também cabeça de madeira, foge com alimentos para introduzir a FOME.


Quadro 13 – Cabeça de madeira, ferido e sangrando, assim mesmo despeja balas
para matar num sinal de que a GUERRA produz DOENÇAS MORTAIS que se espalham tal qual peste.

Quadro 14 – Uma verdadeira besta do Endoapocalipse, num cavalo-coisa, é a própria personificação da MORTE a espalhar a idolatria do dinheiro dos máscaras de madeira. As notas como que se colam nas mãos dos cabeças de madeiras, esquecidos de si mesmos e de sua humanidade.

Quadro 15 – Este quadro mostra que ainda há humanos que não se madeirificaram, não se desumanizaram. Eles se reúnem, guiados por um líder, sob o céu rompido.

Quadro 16 – Os humanos se rebelam, transgridem, fogem de seus esconderijos. Agem e atacam os cabeça de madeira.

Quadro 17 – Na medida em que as máscaras de madeira vão sendo destruídas percebe-se que seus “moradores” são seres humanos. Eles estão esquecidos de que são seres humanos, mas o são.

Quadro 18 – Um dos cabeças de madeira cai na água do que parece ser um rio. É o rio das próprias emoções que tiram a máscara de madeira e, paradoxalmente, a transformam num bote salva-vidas, sinal de que a máscara, quando vivida sem reprimir o ENDO e sem negar o humano, pode ajudar o ser humano a lidar com a relação entre o “ENDO interno” e as exigências exteriores da sociedade.

Quadro 19 – No entanto, outros máscaras de madeira vão se enrolando e se perdendo no emaranhado dos fios/cordas que estavam puxando dos céus.

Quadro 20 – Muitos cabeças de madeira são presos e conduzidos, em grupos e algemados, para um lugar onde se dará alguma transformação.

Quadro 21 – Os cabeças de madeira presos passam pelo processo de transformação da morte e suas energias retornam aos céus.

Quadro 22 – Os “humanos vencedores” costuram o céu para restaurar a ordem do caminho humano e para impedir contato com a energia dos cabeças de madeira que foi recolhida nos céus. Paz, ao menos temporariamente...

Quadro 23 – ...Porque nova borrasca se aproxima.

Quadro 24 – A borrasca aumenta e aumenta...

Quadro 25 – Crianças, no meio da borrasca, vão apanhar um fruto, das árvores ali fincadas, para comer...

Quadro 26 – Surpresa! O fruto tem a semente dos cabeças de madeira... O processo madeirizante/desumanizador pode recomeçar, ameaçando romper novamente os céus, se os humanos não estiverem atentos, de modo especial, em seus meninos e meninas.

Minha interpretação “final” de Endoapocalipse
Num trabalho artístico de excelente qualidade você faz, Flávio, um grito de alerta à nossa humanidade presente: Se sucumbirmos diante das exigências do mundo externo-social, simplesmente reproduzindo o que a sociedade deseja de nós e esquecendo de cuidar de nosso mundo interior (ENDO), então estaremos constituindo um processo desumanizador que pode terminar em manipulação, negação do si mesmo e infelicidade.

Para Jung a máscara deveria ser um instrumento de proteção à exposição de nossa psique, mas ela pode ser altamente danosa quando o sujeito se confunde com a própria máscara. As máscaras não somos nós por inteiro e nós não somos as nossas máscaras quando nos percebemos inteiros. Portanto, máscara pode ser desumanizante. Máscara que impõe sermos o que o outro (a sociedade dominante) deseja que sejamos estabelece um putrefato processo de necrofilia.

As máscaras, porém, de acordo com você não precisam necessariamente serem vencedoras. Há esperança de transgressão dos humanos ainda não cooptados pelo DESEJAR dos outros. Mas esta esperança há que ser sempre atenta e estar sempre vigilante, pois os frutos dos cabeça de máscaras permanecem mesmo quando eles já foram transformados.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

TEASER DO NOVO ÁLBUM DO AÇÃO DIRETA

Patrimônio do punk/hc nacional, e em particular da cena do ABC, o Ação Direta vai lançar seu oitavo disco em dezembro de 2012. World Freak Show é o nome do álbum de 11 faixas, produzido por Marcelo Pompeu e Heros Trench, no estúdio Mr. Som. WFS trará muitas participações especiais, entre elas: Alex Camargo (Krisiun), Vlad (Ulster), Rodrigo Lima (Dead Fish), João Kombi (Test), Wagner e Gigante (ET Macaco) e Pompeu (Korzus).

O disco também marca os 25 anos da banda. 1/4 de século de bons serviços prestados ao punk/hc brasileiro.

Veja o teaser:



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COISA NOSSA


Acabei de chegar em casa, depois de assistir um show do Bocato, num Parque bem próximo a minha casa. É sempre prazeroso ver esse legítimo filho de São Bernardo em ação, ainda mais assim, na sua "quebrada".

Itacyr Bocato Júnior, nascido em 30 de novembro de 1960, é talvez o mais talentoso trombonista brasileiro de todos os tempos. Iniciou seus estudos na banda da Escola Municipal Baeta Neves, aos 7 anos de idade. Passou pela Fundação das Artes de São Caetano, pelo Instituto de Música do Planalto e pela Unesp, onde estudou composição e regência.

Já tocou com músicos como Arrigo Barnabé, Itamar Assunção, Elis Regina, Ney Matogrosso, Rita Lee e Roberto Carlos, dentre outros. Gravou vários discos, fumou incontáveis maços de cigarro e levou sua música para diversas partes do globo, inclusive para o renomado Festival de Montreaux, em 1999.

Um jazzista que faça jus ao título tem que possuir causos e lendas na sua trajetória, e Bocato possui um bocado, com perdão do trocadilho. Daria um belo livro, e se ninguém arregaçar as mangas e abraçar essa missão, eu teria prazer em me candidatar a esse cargo.

Cambaleante e bem humorado, desleixado (com suas roupas e modos) e rigoroso (com a qualidade de sua música), folclórico e viajado, Bocato segue construindo sua história, que certamente o levará ao status de lenda. Tomara que possa colher os frutos disso em vida. Tomara.

Como diria o Fred 04: Dá-lhe Bocato!


[texto originalmente publicado em /o_livro, no dia 18 de maio de 2008]

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domingo, 25 de novembro de 2012

O NOVENTACIONÁRIO

Confesso, sou um noventacionário. Ou seja, um reacionário pró-anos noventa. Essa palavra, como você sabe, não existe. É apenas uma brincadeira, algo válida, algo sincera, com esse espírito de apego às coisas dos "dourados" anos noventa. Você também pode inventar a sua palavra adequada. Tinha pensado em "noventrógrado", tem quase o mesmo sentido.

O apego é inevitável. Não apenas o meu particular apego, mas o apego geral das pessoas referente aos seus respectivos anos dourados, normalmente associados aos anos da juventude. A "melhor época" é sempre a sua época, lição importante que aprendi com um amigo. Como jornalista, tento evitar esse favorecimento às coisas relativas à minha época. Mas como indivíduo, com gostos e desgostos, ou ainda como blogueiro, o que me permite certa liberdade, mando esse policiamento à merda.

É comum, previsível e até enfadonho ver um noventacionário escrevendo sobre bandas dos anos noventa, ou vídeos de skate dos anos noventa, ou seja lá qual for a manifestação estética-cultural-artística-comportamental desse período. Mas a gente continua fazendo isso, foda-se, é quase inconsciente, instintivo. Porém, percebe-se a importância de algo quando alguém desinteressado ou exterior aos fatos/época atribui valor à essas coisas. Um exemplo prático: uma banda de guris de vinte anos (quando muito) tocando um som datado, que remete imediata e incontestavelmente aos sons praticados numa época bem distante da sua. Nessa hora você pára e pensa: "não tem mais pra onde ir, tem que olhar pra trás mesmo".

Do prático ao específico: é o caso da banda DIIV. Pronuncia-se Dive. Quarteto de New York formado em 2011. O dono da banda é Zachary Cole Smith, que também toca guitarra no Beach Fossils. Eles lançaram um excelente debut esse ano, chamado Oshin. Quando você escuta DIIV, a impressão é que está ouvindo uma banda do começo dos anos noventa. Guitar band nos moldes antigos, ou como a Spin bem definiu, neo-shoegaze. Zachary não viveu os anos noventa, mas é tão noventacionário quanto eu. Ou quanto o Lê Almeida.



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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

LARANJA MECÂNICA - 50 ANOS

Laranja Mecânica, o livro, está completando 50 primaveras. Para comemorar, a Editora Aleph lançou uma edição especial da obra de Anthony Burgess, com ilustrações exclusivas de Angeli, Dave McKean e Oscar Grillo, além de muito material extra: notas, entrevista com o autor, etc.


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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

LIVRO DO SLAYER SERÁ LANÇADO NO BRASIL

Esse natal promete ser sangrento. A Edições Ideal anunciou o lançamento do livro que conta a trajetória do Slayer. O nome do livro é "O Reino Sangrento do Slayer" e pode ser adquirido aqui.



Eis a nota oficial divulgada pela editora:

Satanismo, Thrash Metal e Fãs Insanos: livro conta a polêmica história do Slayer
Existem muitas bandas de metal, mas o Slayer é incontestavelmente uma das mais conceituadas no mundo. São mais de 25 anos de thrash metal extremo: rápido, pesado e polêmico. No livro "O Reino Sangrento do Slayer", lançado pela editora Edições Ideal (a mesma que trouxe os livros do Rage Against The Machine e do Dave Grohl, entre outros), há relatos sobre o surgimento da banda, seus integrantes, histórias que envolvem outras bandas como Metallica, Megadeth, Soulfly e Slipknot, e ainda a ligação do Slayer com o satanismo e terrorismo religioso (e claro, toda censura que sofreram por causa disso), além de fotos raras do início da banda. O livro está a venda em pré-venda no site das principais livrarias do país, e chega às lojas no começo de dezembro.

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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

EXTENSAS ESTRIAS DEL ESTEN SIÑOR - VIDEO DO ZINE DE RODRIGO OKUYAMA

Rodrigo Okuyama é um dos mais brilhantes ilustradores da atualidade no nosso país.

Seus zines são confeccionados com uma mistura insana de técnicas manuais (estencil, carimbos, costuras) e uso criativo de suportes e tintas.

O zine Extensas Estrias del Esten Siñor é um dos seus trabalhos mais significativos e Rodrigo fez um video onde podemos ver todas as nuances da produção desta obra.

Desfrute:



Artista: RODRIGO OKUYAMA
Câmera e Edição: MÁRCIO SNO
Assistente de Gravação: CALVIN KONNO
Trilha Sonora: SNOOZE - Mariana's Butterflies

sábado, 17 de novembro de 2012

TUSQ: ENTREVISTA EXCLUSIVA + NOVO CLIPE

A banda alemã Tusq, que já esteve no Brasil e aqui no Zinismo em 2011, lançou recentemente o clipe “drive”, música que faz parte do seu novo álbum, que será lançado no começo de 2013. Com exclusividade, o Zinismo conversou com o vocalista Uli, que falou sobre o clipe, o disco novo (Hailuoto) e os recentes shows na Rússia. Veja o clipe e confira a entrevista.



Zinismo: O Tusq recentemente lançou um novo vídeo, para a música “drive”. O clipe traz imagens da banda na estrada, na Rússia, Brasil, Argentina. Você já captou essas imagens com o pensamento de usá-las num clipe?
Uli: Eu trabalho como produtor de vídeo, então pra mim é muito natural documentar nossas viagens, shows e tours. Minha câmera estava comigo o tempo todo, e essas imagens foram registradas sem pensar necessariamente no clipe. Quando terminamos as gravações para o nosso novo disco, Hailuoto, tivemos a certeza que a música “drive” seria o primeiro single, o que me deixou muito feliz porque tinha o material perfeito para editar um vídeo de tour.

E o novo disco? Pelo que escutei, ele me pareceu “menos feliz” do que o anterior...
Bem, dá pra dizer que o segundo álbum tem um pouco mais de melancolia. Se por um lado as músicas são um pouco mais lentas, por outro são muito mais melódicas. A diferença em relação ao primeiro disco é que agora nós somos uma banda de verdade, porque fizemos muitos shows juntos. Quando escrevemos e gravamos o primeiro disco, nós não tínhamos feito sequer um show.

O nome Hailuoto é a cidade onde foi gravado?
Na verdade não é uma cidade, mas sim uma ilha. Hailuoto fica no extremo norte da Finlândia. É um lugar impressionante, e as 4 semanas que passamos lá foram muito intensas. Então pensamos que esse nome sintetiza bem o que são essas músicas, além de soar muito bem.

Esse ano vocês tocaram na Rússia pela primeira vez. Como foi a experiência?
Nós fizemos 5 shows na Rússia: 3 em Moscou e 2 em São Petersburgo. Foi fantástico. O público muito entusiasmado nos shows, além do que esperávamos. A vibe e a empolgação me lembraram da minha primeira tour no Brasil, em 2002. Ok, o clima é um “pouco diferente” (substitua sol e coqueiros por temperatura negativa e neve), e além disso imagine beber vodka ao invés de cachaça (risos). A Rússia é realmente gigante, e as duas cidades que visitamos foram muito impressionantes.

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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

LIMP WRIST AO VIVO NO CCJ

Confira os vídeos logo abaixo, com entrevista e trechos do show da banda punk/queercore Limp Wrist no CCJ, na capital paulista.

Vale destacar a impressão positiva causada pelo espaço nos integrantes da banda, como comprova o depoimento do vocalista Martin Sorrondeguy: "Quando os jovens se reúnem nos EUA, os mais velhos ficam assustados, a polícia fica assustada, todo mundo fica assustado. Aqui você tem, no mesmo lugar, pessoas dançando break e uma banda punk tocando."





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CONEXÃO VIOLINS-ELIS-BAUHAUS


Aproveitando o papo de capas e similaridades do post de ontem, resolvi resgatar essa antiga notinha (escrevi em 2008, para uma rede social), que trata de um tema parecido...

Da série “cara de um, focinho do outro”. Temos aí, lado a lado, as capas dos discos “A Redenção dos Corpos” (Violins, 2008) e “O Fino do Fino” (Elis Regina e Zimbo Trio, 1965). Parecidas, não?

Eu estava aqui ouvindo o disco do Violins, preparando a resenha pro Ouvidos Atentos do próximo mês, quando olhei para a capa e tive um estalo. “Essa capa me lembra alguma coisa”, pensei. Nossa memória trabalha de maneira incrível às vezes, e somos capazes de lembrar coisas guardadas no inconsciente há muito tempo. Ou seja, não significa que as tenhamos esquecido. Eles estão lá, num cantinho, esperando apenas o estímulo necessário para vir à tona.


“Já sei”, disse em voz alta. Levantei, fui até a estante de CDs e peguei o disco da Elis. Bingo! Não é uma cópia deslavada, mas não dá pra negar a influência na composição da capa, no lance geométrico, nas cores e no tipo de fonte escolhida.
Escola Bauhaus, Kandinsky, Modernismo Alemão, como lembrou um amigo.

Apenas uma curiosidade, que resolvi compartilhar com vocês.





 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

SEPARADAS NO NASCIMENTO

Shepard Fairey tem um estilo inconfundível. Basta bater o olho para identificar uma obra do cara. "Isso é Shepard". As duas capas de disco logo abaixo comprovam isso. Led Zeppelin e Bad Brains. Universos musicais e ideológicos bem distantes, unidos por capas que conversam - e muito - entre si.








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ESCUTE O NOVO THE EVENS


The Odds é o nome do novo álbum do duo The Evens. Escute o disco no player logo abaixo:



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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

DELTRON 3030 NO BRASIL

Del Tha Funkee Homosapien não é apenas um dos mais conceituados MC's do rap norte-americano. Ele é também - e para muitos, principalmente - uma das vozes que mais mexe com a memória afetiva dos skatistas. A conexão Del + Hiero + vídeos de skate é antiga e forte. Desde o primeiro Plan B (1992), com "Ahonetwo, Ahonetwo", até o infinito (pra fazer o trocadilho com outro membro da família Hiero).

No começo dos anos 2000, Del uniu forças com o produtor Dan The Automator para trazer ao mundo Deltron 3030. Além da dupla Del-Dan, participaram do debut nomes "fraquinhos" como Sean Lennon, Money Mark, Scott Harding, Damon Albarn, dentre outros. Ou seja, só monstrinho. Resultado: um dos discos de rap mais legais que esse planeta azul já conheceu.

E agora, no mesmo ano em que eles anunciam um novo disco (ainda não saiu), também estão de malas prontas pra tocar no Brasa. Duas datas, 01 e 02 de dezembro, no Festival Batuque, no SESC Santo André (SP). O line-up do fest ainda inclui: Los Sebosos Postizos, projeto paralelo dos integrantes da Nação Zumbi, B. Negão & Os Seletores de Frequência, Rodrigo Campos, Projeto Nave + Indee Style, Kamau, Doncesão & Pizzol e MC Anelis Assumpção, acompanhada do DJ PG.

Rodrigo Brandão, um dos organizadores do festival, adiantou para o Zinismo um pouco do que está por vir: "O Deltron vai se apresentar com uma orquestra de câmara. Quando ficaram sabendo, através da nossa agente, que fomos os produtores dos concertos do Verocai no ano passado, fizeram questão de usar os mesmos músicos, daí estamos com essa missão extra de arregimentar e organizar ensaio bilíngüe!"

Os ingressos começam a ser vendidos nessa sexta, 16/11, em toda a rede SESC.

E, antes da linha cair, mais uma informação via-Brandão: "Pode avisar, em primeira mão, que o Just Blaze, produtor de meio mundo, de Jay-Z a M. E. D., passando por Jay Electronica, tá no bonde também."

Recado dado!







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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

ENDOAPOCALIPSE


ENDOAPOCALIPSE é a nova obra do zinista Flávio Grão. Uma graphic novel ao estilo do autor, oferecida ao mundo no bom e velho esquema do it yourself. Desenhou, recortou, pensou, escreveu e, no final do processo, decidiu por uma entrega bipartida: você pode escolher entre a versão de luxo, capa dura, apenas 30 exemplares, ou a versão formato zine, com acabamento de gráfica e preço super acessível.

Para mais infos, clique aqui.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

BLUE LINE

Brian Lotti é um dos realizadores (na falta de palavra mais exata) que mais entende da dinâmica, fluidez e ritmo do skate. Ajuda o fato de que ele foi um skatista bem acima da média nos anos 80 e 90. Já tinha assinado o First & Hope, com trilha do Beck, mostrando skate pelas ruas de Los Angeles. E agora vem com esse curta, chamado Blue Line, mais uma vez explorando as possibilidades da continuidade num vídeo de skate.

Cinco minutos de pura poesia visual.

Blue Line from Brian Lotti on Vimeo.

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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

SHOW KAMAU + PARTEUM

Dica para quem mora em São Paulo/SP: dia 09 de novembro rola um show dos rappers (e amigos) Kamau e Parteum, numa casa chamada Lega Itálica, no bairro da Liberdade. Confira o vídeo com os músicos promovendo o evento:

KAMAU / PARTEUM [09 DE NOVEMBRO NA LEGA ITÁLICA] from Parteum on Vimeo.

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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

AQUECIMENTO FORGETTERS

Aproveitando a notícia do lançamento do novo trabalho do Forgetters, resgato a resenha que fiz do trabalho anterior, e que foi publicada na ed. 154 da CemporcentoSKATE.


FORGETTERS – s/t [ independente ]

Blake Schwarzenbach, vocalista, guitarrista e suposto dono do Forgetters, é um sujeito com uma bela trajetória musical. Fez estrago e história com o Jawbreaker, lançou pelo menos dois grandes discos (sendo mais específico, o primeiro e o segundo) com o Jets To Brazil e agora reaparece na cena, a frente do trio novaiorquino Forgetters. Completam o time a baixista Caroline Paquita (ex-Bitchin’) e o baterista Kevin Mahon (ex-Against Me!).

Para debutar em grande estilo, a banda apostou num formato incomum: um disco sete polegadas duplo, com duas músicas em cada compacto. Antes do EP sair, os boatos davam conta de um retorno ao passado punk do Jawbreaker. E os boatos não estavam totalmente errados: “Vampire Lessons”, por exemplo, é sim um mergulho no passado, mas o outro lado do disco traz “Too Small To Fail”, bem mais lenta, bem mais Jets To Brazil. A alternância continua nas outras duas, “Not Funny” e “The Night Accelerates”.

Mas essas lembranças do passado, seja do recente ou do nem tão recente assim, são inevitáveis. Naturais até. Trata-se do estilo, da voz e da guitarra de Blake. Reinventar-se sim, mas sem descaracterização. O que ele tem pra oferecer nós já conhecemos. Vai variar um pouquinho, mais pro punk ou mais pro rock alternativo, mas não vai mudar radicalmente. É pegar ou largar.


- Para ouvir trechos das músicas do novo álbum, que sai em novembro, clique aqui

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

IT'S ONLY ROCK N' ROLL



"Todo roqueiro é músico por natureza. Nem que seja de air guitar ou vassoura bass!" Essa definição de Marcelo Ramones (baixista da banda Kopos Sujus) vai direto na proposta da banda OS CABINHA.

Não me lembro como e quando eu conheci o som desse meninos de Nova Olinda, sertão do Ceará. Mas é certo que me apaixonei logo de cara e até hoje escuto as canções desses roqueiros cheios de atitude.

Arthurm Iêdo, Momô, Renê e Rodrigo fazem parte da Fundação Casa Grande e é a terceira geração do grupo de "bandinha de lata" criado na fundação. Mas o que esses cabinhas têm de tão especial assim?


Eles fazem rock. Mas rock de uma forma diferente. Orgânica. Literalmente falando. A bateria, como é de se imaginar, é constituída por latas e tampas de panela velha. Os demais instrumentos (guitarras e baixo) são tocadas com a boca. Sim, aquele som que você faz imitando um riff de guitarra: esse é o som acústico-eletrificado deles.

A simplicidade, naturalidade e amor que tiram essas canções (compostas por eles) fez com que conquistassem a simpatias de artistas como Arnaldo Antunes, Zeca Baleiro, Ivaldo Bertazzo e Maurício Pereira. Em 2008 tiveram a oportunidade de vir para São Paulo para tocar no Itaú Cultural, dentro do Projeto Rumos. E não deixaram barato: botou todo mundo para cantar, dançar e tocar! Veja trechos no vídeo abaixo.


As canções falam sobre o universo da molecada, as bagunças, piadas, além de mensagens positivas e autovalorização do trabalho da banda e da fundação de onde fazem parte.

Na parte instrumental, passeiam por diversos estilos do rock: blues, punk rock, hardcore e ainda viajam pelo rock mais clássico.

Mas a emoção que colocam em suas composições é algo que mais chama a atenção e é o grande lance desses meninos! Uma verdadeira declaração de amor ao rock!

Se você acha que ser roqueiro é apenas usar camisa preta, deixar o cabelo crescer, se encher de tatuagens, piercings, quebrar banheiros e fazer cara de mau, quando ouvir Os Cabinha vai sacar que não está com nada...

Não ganhou seu presente de Dia das Crianças? Clique aqui e seja feliz!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

EUROLOMO









[ Não sou fotógrafo, mas tiro fotos. De filme, vale citar. Selecionei as sete favoritas de uma recente viagem que fiz ao Velho Mundo, e aqui estão, postadas. O tratamento das imagens ficou por conta de Guilherme Theodoro. De cima para baixo: O Homem e o Mar/Barcelona, Praça Callao/Madrid, Vielas da Ribeira/Porto, Señor Marküsen no Parc Güell/Barcelona, Kreuzberg/Berlin, Jerônimos/Lisboa e Marisqueria na Barceloneta/Barcelona ]

Série de fotos fisheye no Chile e EUA.

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terça-feira, 16 de outubro de 2012

SCOTT HILL VS STONER ROCK


Em 2007, entrevistei o Fu Manchu para o caderno SUB, da extinta revista MTV. E aqui resgato o depoimento de Scott Hill (vocal, guitarra e único membro original) sobre o termo stoner rock: "Eu não gosto do termo stoner rock. Ele me faz pensar no Grateful Dead e eu não gosto deles."

Well done, Scott!

[foto: Mateo Leyba]



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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

CONHECE BOSNIAN RAINBOWS?

Se não conhece, deveria. O Youtube tá aí pra isso mesmo, né? Então conheça:



Se você assistiu ao vídeo, deve ter percebido que o tal Bosnian Rainbows é a nova banda (projeto?) do Omar Rodriguez-Lopez, aquele do Mars Volta, ATDI e outras tantas empreitadas sonoras. O Zinismo (e se falo em nome da "entidade" é porque mais de um zinista está envolvido nisso) teve a oportunidade de ver esse show ao vivo, em Amsterdam, no dia 24-09-2012. Levando em consideração as últimas aventuras do Omar, a constatação é que o BR é de longe seu projeto mais pop. Sem muito espaço pra experimentalismo, mas com algum espaço para os virtuosismos do guitarrista, o som da banda é bem direto, com foco nas linhas de voz da performática e linda Teri Gender Bender. Li em algum lugar que a cantora tem apenas 21 anos; se for verdade, é impressionante a calma e domínio de palco da garota. O disco da banda ainda nem saiu, mas já fizeram essa tour europeia e, se não em engano, também tocaram na Austrália.

Para fechar, fica a dica pra conferir também o som da banda que "conduziu" Teri Gender ao Omar, o Le Butcherettes. Logo abaixo uma entrevistinha que conta um pouco da história:



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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

NOVO EP DO GARAGE FUZZ


Warm & Cold é o nome do novo EP do Garage Fuzz. O disco, com 4 faixas, será lançado esse mês (outubro) através de uma tripla parceria: banda, revista CemporcentoSKATE e Xbox LIVE. Assim, fique atento nas bancas de todo o país, pois o disco virá como um encarte especial na edição 176 (especial Fotografia) da CemporcentoSKATE. Segue logo abaixo um trecho da entrevista que fiz com a banda santista.

The Morning Walk (2005) foi o último álbum cheio. 7 anos atrás. Como é o “tempo Garage Fuzz” de composição/gravação/lançamento?

Fabricio: Sempre fazemos nossos discos com calma, já que não temos um contrato a cumprir. Então quem dita o ritmo somos nós mesmos. Nesse caso, o espaço entre o The Morning Walk e esse EP foi maior devido a mudança na formação. Quando o Nando Zambeli saiu da banda, já tínhamos praticamante 2/3 do álbum novo pronto, mas tivemos que redirecionar nossa atenção pra troca de guitarrista. Foram muitos ensaios pro Nando Bassetto pegar as músicas, e até hoje ele tem que tirar músicas velhas pra mudar um pouco o repertório dos shows! Depois da nova estabilizada, voltamos a atenção para as músicas novas.

Wagner: Nosso tempo é bem curto, já que temos outras ocupações paralelas fora a banda. Sempre estivemos fazendo shows, nunca paramos. Com a gente não tem aquele papo “o Garage Fuzz voltou”. Nós nunca fomos, entende? Nunca paramos sequer um mês. Compomos sempre trechos ou arranjos antes de concluir as músicas. Geralmente esse arranjos são usados de imediato ou as vezes levam 10 anos. Apesar dos intervalos grandes entre os álbuns, temos muita facilidade para compôr.


Obs. A íntegra dessa conversa estará na próxima edição da Cemporcento. Se a banca da sua cidade não tiver a revista, sempre é possível comprá-la pela loja virtual: cemporcentoskateshop.com.br

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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

FANZINEIROS NO CCSP

Como os comparsas Grão e Viegas estão desbravando o velho continente, resolvi dar uma de Raul Seixas em Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 e me autopromover por aqui!

O segundo capítulo do documentário que produzi, Fanzineiros do Século Passado, será exibido em 12/09 (próxima quarta!), às 20h, na programação do Mês da Cultura Independente, realizado pela Gibiteca Henfil (Centro Cultural São Paulo).

Nesse episódio é destacada a importância dos zines para as bandas dos anos 80 e 90, os fanzineiros pós-internet e os estímulos para a produção de zines impressos. Clique aqui e veja ao trailer!

Ao final, vou bater um papo com os presentes sobre o documentário e a produção de zines!

Haverá também uma banquinha com produtos da Ugra Press e cópias do documentário a preço justo e honesto!

Conto com sua ajuda na divulgação desse evento e, se possível, compareça para prestigiar!

Caso possua Facebook, clique aqui e confirme sua presença na página do evento!


Prestigie e estimule a cultura independente!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

OKUYAMA RULES!


Conheci Rodrigo Okuyama por um acaso. Estava para lançar o primeiro capítulo do meu documentário Fanzineiros do Século Passado no 1º Ugra Zine Fest em 2011. A programação do evento estava repleta de atividades para o dia, mas confesso que não dei muita atenção para a oficina de encadernação que esse rapaz iria desenvolver.

Estive com ele alguns momentos antes, no mesmo momento em que conheci pessoalmente a Fernanda Meireles. Okuyama estava mostrando um boneco de papel que carregava em seu bolso (que mais adiante transformou-se na história dobrável dO Nadador). Não era possível... Aquele cara tinha algum problema: como pode uma pessoa carregar um personagem dentro da carteira? Não tive dúvidas: teria que desvendar um pouco mais o universo dele. Então, na semana seguinte, estava em seu apartamento na Rua Cunha Gago para registrar o depoimento para o documentário e também para conhecer um pouco mais de sua produção.

Ao chegar, o sofá estava tomado por capas de zines com impressões de estêncil em embalagens de tetra pack. "Estão secando", alertou o descendente de japoneses. Os materiais que utiliza em suas produções estão por toda a sala, juntando-se a bagunça básica que toda casa de solteiro merece. Além dos manjados papéis, tesoura, régua, cola, fundamentais para a produção de um zine, naquele meio também era fácil encontrar furadeira, alicate, linhas, embalagens de leite vazias e agulha de costura. Realmente esse cara não é normal. Veja abaixo o clipe "Costurando com Rodrigo Okuyama", que gravei nesse dia:



Mesmo assumindo o custo de fazer uma publicação diferente e quase exclusiva, ele não se importa em ser cliente assíduo de papelarias, lojas de artes e aviamentos, além de gastar boa parte de seu tempo imprimindo, montando, costurando e distribuindo seus materiais.

O que mais chama a atenção em seu trabalho é diversidade de técnicas que utiliza: tintas dos mais variados tipos, papéis de gramaturas e texturas infinitas, materiais alternativos e reaproveitados, impressão com estêncil, carimbos de E.V.A. (produzidos por ele), além de dobraduras diferentes e muito complexas.

Para exemplificar a complexidade de seu trabalho, na ilustração ao lado (cartão de visita), utilizou dois tipos de papéis, impressão a laser e estêncil, além de tinta de tecido, spray e puff. Pense em quanto tempo a pessoa precisou para produzir esse material...


Embora seja um cara tímido e reservado (bem característico dos orientais), Rodrigo é inquieto e com um senso de humor ímpar. Sempre está produzindo algo (diferente, é claro) e nunca (nunca!) seguindo pelo caminho mais fácil: está sempre experimentando técnicas e materiais diferentes em suas produções. Um exemplo que reúne tudo isso é a história Outra Festa no Céu (abaixo) que faz parte da série ZineZinho, onde usa a impressão a laser, o acabamento com carimbo e a montagem com uma dobradura que só ele consegue fazer. Além do humor capaz de arrancar gargalhadas em situações simples.


Seu trabalho pode ser conferido pelo Brasil afora. Entre outras publicações, os traços de Okuyama dão as graças no livro "Horror, Humor & Quadrinhos - as Vítimas do Mico Contra o Trio do Terror", com texto de Heloísa Prieto.


Como comentei, esse cara é muito inquieto e, na época do lançamento da terceira edição do zine La Permura, construiu um móbile que faz alusão aos personagens que ilustraram a capa dos zines. Além de todo o cuidado peculiar que tem para construir os bonecos tridimensionais, também teve todo o cuidado de calcular o peso dos objetos pendurados em varas de bambu. Um dos personagens também funciona como uma luminária. Esse material ficou um bom tempo exposto na livraria HQMix e, quando a loja mudou de local, Okuyama me contemplou com essa obra que hoje dá um toque todo especial para a minha sala. Morram de inveja!

A cada dia esse cara aparece com uma publicação diferente, tanto que é muito complicado colocar todas nesse post. Recomendo que visitem o seu Flickr.

Durante o Mês da Cultura Independente promovido pela Gibiteca Henfil, Rodrigo Okuyama vai conversar com o público em 6 de setembro, às 20h. Nessa oportunidade, além de outros assuntos, vai falar um pouco sobre a sua forma peculiar de produzir. A entrada é grátis. Uma ótima oportunidade para conhecer um pouco mais do seu trabalho.

E, como se não bastasse um cartaz para divulgação, ele fez três. Claro.