domingo, 29 de dezembro de 2013

MELHORES DE 2013 [POR MARCELO VIEGAS]

Aproveitando a lista que elaborei para a votação do site da Red Bull, publico aqui os meus "eleitos" (bela bosta) nesse ano que vai chegando ao fim. Duas categorias: melhor álbum e melhor show (realizado no Brasa).

Lembrando que essa não é uma lista do Zinismo, e sim uma lista desse zinista que vos escreve.

E você, o que acha? Quais foram os 10 melhores álbuns e shows de 2013?


Álbum

1. Sebadoh – Defend Yourself





















2. Meat Puppets – Rat Farm























3. Grant Hart – The Argument























4. The Night Marchers – Allez Allez






















5. Red Hare – Nites of Midnite





















6. Arcade Fire – Reflektor





















7. David Bowie – The Next Day





















8. Bixiga 70 – Bixiga 70























9. Polvo – Siberia























10. Mark Lanegan – Imitations
























Show
1. Grant Hart, no Cine Olido (São Paulo/SP)

2. Mike Watt, no Hangar 110 (São Paulo/SP)



3. Lee Ranaldo, no Sesc Pompéia (São Paulo/SP)

4. Tortoise, no Sesc Belenzinho (São Paulo/SP)

5. Daniel Johnston, no Beco 203 (São Paulo/SP)

6. Dead Elvis & His One Man Grave, no 74 Club (Santo André/SP)

7. Bixiga 70, no Sesc Santo André (Santo André/SP)
[não encontrei vídeos desse show no youtube]


8. Ação Direta, no Sesc Santo André (Santo André/SP)

9. Bob Mould, no Sesc Pompéia (São Paulo/SP)

10. Black Sabbath, no Campo de Marte (São Paulo/SP)


domingo, 10 de novembro de 2013

CADA DIA MAIS SUJO E AGRESSIVO




Marcatti é o heróis dos editores independentes do Brasil. E ponto.
 
Workaholic e líder de um exército de um homem só, é a personalidade brasileira que podemos falar com 100% de certeza que participa de todas as etapas de sua produção: desde a ideia, passando pelos rascunhos a lápis, a finalização à nanquim, os acertos e diagramação digital, a impressão e distribuição. Não estou falando de zines, falo de livros.

Desde a década de 1980 Marcatti abriu mão de caçar editores para publicarem sua arte e, com uma herança que recebeu, investiu sua parte em uma impressora Rex Rotary 1501 que foi onde publicou revistas clássicas da HQ independente como Lôdo, Mijo, Pântano, Ventosa e Um Dia a Casa Cai. Essas publicações eram vendidas na porta de shows e de espaços culturais como SESC Pompeia, Lira Paulistana, Madame Satã. Segundo o editor, as vendas eram fortes em shows do Premeditando o Breque e Língua de Trapo, e o maior prejuízo eram nos shows de bandas punk: “Eles só tinham dinheiro para entrar no show e pra tomar uma cerveja”, relembra.

No final daquela década seu trabalho ficou mais conhecido quando passou a ter material publicado na revista Chiclete com Banana, Casseta Popular e Tralha. As edições mais vendidas da Chiclete foram as que tiveram estampadas na capa a heroína de Angeli, Mara Tara e, coincidentemente, nessas edições continha trabalhos do Marcatti. Logo, o seu gosto escatológico e situações fora do comum foram ganhando popularidade na massa e a lista de fãs cresceu a cada dia, ganhando força com o lançamento do livro As Aventuras de Glaucomix, o Pedólatra, em parceria com Glauco Mattoso.

A sua editora Pro-C, continuava com todo o pique e lançou, entre outros artistas, o primeiro trabalho de Lourenço Mutarelli.

No mesmo período criou uma das capas de disco mais fantásticas do rock: Brasil do Ratos de Porão. Nessa época existia poucos recursos tecnológicos e o original desse trabalho ficou em poder da extinta gravadora Eldorado. No ano seguinte, quando precisou finalizar um detalhe na capa do próximo disco do RDP, Anarkophobia, no estúdio de arte da gravadora, em um momento de descuido dos funcionários, achou o original da capa de Brasil e não pensou duas vezes: enrolou a sua arte, até então esquecida em uma gaveta qualquer, botou dentro da blusa e resgatou essa obra-prima. Porém, tempos depois, esse original foi roubado (não por Marcatti dessa vez!) em uma exposição e ainda continua desaparecida. Os trabalhos com a banda de João Gordo voltaram a rolar com a revista RDP Comix e, mais recentemente com a capa do LP No Money, No English.

Guitarra feita por Marcatti
Enquanto tudo isso acontecia, Marcatti ainda tinha que ralar para alimentar três filhos junto com sua esposa artista plástica Tata Pires. Sim, juventude, ele colocava comida na mesa vendendo quadrinhos de gosto duvidoso. Desde então, também se envolve em outras áreas como carpintaria, luteria (ainda vou comprar aquela guitarra!), pintura de carros antigos entre outras coisas. Ah, e também encontrou tempo para tocar na banda Easy Blues.

O artista autodidata ainda tem uns hábitos estranhos. O mais curioso é que desenha em pé, ao contrário de todos os demais ilustradores do mundo todo, e para sustentar essa mania,  construiu uma mesa fixada na parede de sua oficina, que fica na altura para que possa se acomodar para produzir suas obras. Outra mania é ele ter registrado o dia, horário, tipo de caneta, lápis e papel de todas (TODAS!) as suas artes! Ele criou um esquema de catalogação de seus trabalho com o qual consegue explicar todo o contexto que envolveu cada uma de suas histórias. Um absurdo!

No começo dos anos 90, a Rex Rotary 1501 não aguentou mais a rotina insaciável de Marcatti e resolveu, por conta própria, se aposentar. Depois disso, Marcatti chegou a lançar um bocado de números de seu personagem Frauzio, pela editora Escala e ainda os livros Mariposa e A Relíquia (releitura do clássico de Eça de Queiroz) pela Conrad.

Mas o desejo de se autopublicar era algo que tirava o sono de Marcatti e, com uma grande ajuda do cartunista Bira Dantas, em meados de 2012 conseguiu adquirir a Multilith 1250, uma impressora de mais de 300kg, fabricada em 1954, mais poderosa que a antiga Rex. O retorno às impressões começou com chave de ouro, com o lançamento de A Risada de Arnaldo, uma adaptação de um conto de seu filho André PiJaMar, que reiniciou uma fase de muita produção para Marcatti que também passou a imprimir para outras editores, como a Ugra Press.

Coprólitos e Enterólitos

Nas adaptações que fez em sua casa para acomodar a sua Multilith, Marcatti encontrou uma pasta que acomodava toda a sua produção de 1986 a 1992, que o autor considera como “um registro completo da fase mais alucinada e repugnante de seu humor”. Percebeu que não fazia sentido deixar tudo isso encaixotado e foi quando teve a ideia do projeto Coprólitos, uma coletânea com toda essas HQs, com mais de 120 páginas.

Aproveitando da onda dos financiamentos coletivos, colocou seu projeto no Catarse e foi onde conseguiu atingir 185% do valor necessário para esse lançamento. Com o sucesso do projeto, passou a aumentar as bonificações para os financiadores (que incluem originais, camisetas, pôsters etc.) e viabilizou também o lançamento de Enterólitos, com as ilustrações dos originais presenteados para os colaboradores.

Coprólitos tem um acabamento especial, com duas capas sobrepostas que dá um charme todo especial e que entra em choque com a ilustração que faz referência ao nome do livro que, para quem não sabe, trata-se de fezes conservadas por meio de fossilização e que são fontes de pesquisa para entender o conteúdo intestinal de quem a cagou. Daí dá pra ter uma ideia do que vem pela frente…

O livro abre com uma riquíssima introdução de Gualberto Costa, o Gual da HQ Mix, na qual conta boa parte da história de Marcatti, relacionando com o contexto da época, costurando com a vida pessoal e profissional do desenhista. Muitos detalhes nunca dantes publicados aparecem nessa apresentação muito carismática que, para quem conhece o Gual, lê como se estivesse conversando com ele numa mesa de bar.

Depois disso, é só coisa pesada! Começa por “Liberô geral”, onde os traços característicos do artista ainda estão em fase de formação, só levemente escatológico, mas já chutando o pau da barraca, mostrando uma relação de incesto radical e descarado que envolve toda a família (até o cachorro Duque e a empregada) e uma leve beslicada nos hábitos pseudo-cristãos da humanidade.

Também tem a sua HQ mais clássica, a “Saudosa Velhota”, mais conhecida como Tia Surubinha, publicada na Lôdo e depois na Chiclete.  É a história de um jovem mora com a tia, que lhe oferece todos os prazeres da vida sem reclamar, e que tem um final trágico, porém, com uma conclusão espetacular.

Ao total são 32 histórias, nas quais quase nenhum personagem se repete, com exceção do “Lauro, a Larva”, que aparece em duas HQs. O restante são personagens pontuais, criados para aquelas histórias únicas. Alguns poderiam aparecer mais vezes, como a Zulmira de “José Roberto”, o Gervásio de “O melhor amigo do homem”, a Dona Joana e o Adamastor. Seria bem interessante que esses personagens criassem pernas assim como o Frauzio (único personagem longevo de Marcatti) e aparecessem em mais histórias.

Algo interessante apontado por Marcatti é que a cada história (que aparecem em ordem cronológica) é uma viagem no tempo, um retorno à época em que foi publicada. Para quem acompanha o trabalho do artista sabe que isso realmente acontece, pois é possível relaembrar como essas histórias foram absorvidas a primeira vista e os sentimentos e sensações que provocavam não só no leitor, mas também na mãe ou irmã menos desavisada que liam suas histórias. Geralmente as reações eram essas: do leitor - “uau!”, da mãe e irmã - “eca! Como você consegue ler isso?” Alguém concorda?



Também é bem legal de observar, nos seis anos em que as histórias foram feitas, a evolução de Marcatti em todos os aspectos: nos traços, detalhes, roteiros, sombras, e o quanto foi ficando cada vez mais escatológico e provocador diante dos dogmas da humanidade, quebrando todos os paradigmas éticos, consensuais, sem abrir mão da contestação e do humor ácido e afiado.

Corpólitos consegue mostrar a essência do trabalho desse grande mestre, de um estilo que não passa despercebido: sempre há uma reação, seja ela de nojo (quase sempre) e de felicidade.

Já o Enterólitos é uma coletânea das ilustrações que os colaboradores do projeto ganharam de Marcatti. Cada desenho foi feito exclusivamente para o doador, que recebeu o seu original e ainda sob cada obra consta que pertence ao acervo particular do presenteado. Cada uma das cinquenta foi feita de forma aleatória e com motivos mais variados possíveis. Mas todos dentro da linha estética visceral do ilustrador.

São dois grandes lançamentos que têm o toque do faz-tudo em todas as etapas do processo. No meu caso, nem teve o carteiro na mediação, foi entregue em mãos pelo próprio Marcatti, ou seja, tudo feito por um homem só. Já experimentou sensação igual?

É um marco na HQ brasileira, por mostrar que é sim possível viver com aquilo que gosta, baseado no “faça você mesmo” e que, de quebra, ainda registra uma fase muito criativa de um dos maiores quadristas que esse país já conheceu. Por essas e por outras que Marcatti é nosso herói. E ponto final.

Ah, os livros podem ser adquiridos direto com o Marcatti, na sua loja virtual!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

ZUMBIS À BRASILEIRA

Petter Baiestorf ataca novamente! Bom, na verdade ele vem atacando sem parar desde os anos noventa, tornando-se assim uma lenda/referência do cinema trash brasileiro. Seu mais novo filme é Zombio 2: Chimarrão Zombies, continuação do filme Zombio, lançado em 1999.

Olha a sinopse oficial lindona: "Zumbis, zumboas, recém-falecidos raivosos e mais uma gama de coloridos mortos-vivos melequentos tomam conta da região rural do Oeste de Santa Catarina e vísceras rolam ao doce sabor da erva-mate Cronenberg. Mas os zumbis, neste caso, são o menor dos problemas quando a fauna humana se revela em sua plenitude sádica e egoísta."

Veja o trailer:



Para saber onde e quando o filme será exibido, acompanhe a fanpage da produtora de Baiestorf, a Canibal Filmes.

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sábado, 5 de outubro de 2013

JOACY JAMYS



Joacy Jamys era um cara hiperativo. Sempre estava produzindo alguma coisa: seja na sua banda Estrago, nos seus zines Sociedade dos Mutilados, Não Sistema!, Grito?, subindo alguma coisa em seu site, organizando o grupo SingularPlural (anteriormente chamado de Grupo de Risco), manifestando-se contra o sistema, ou mesmo fazendo alguma ilustração para alguma banda ou zine. Nas horas vagas até dava aulas de histórias em quadrinhos.

Ele deve ter colaborado para 90% dos zines dos anos de 1990, sempre tinha uma tira ou HQ sua (geralmente a mesma em diversos zines diferentes). Nos meus zines coloquei diversas delas. Nenhuma exclusiva, exceto a lindíssima capa do Aaah!! #5.

Na época em que fez essa capa, ele me mandou a ilustração original, a qual guardei por muito tempo em minhas coisas. Mais de dez anos depois, já conversando com ele via e-mail, comentou que estava montando uma coletânea que possivelmente sairia em formato de livro e estava recolhendo materiais que produziu. Comentei com ele sobre o original e ele gentilmente me pediu e eu prontamente enviei. Dois meses depois, recebo a notícia de que ele foi acometido por um AVC que o levou para o além. Fiquei anos batendo a cabeça para saber do que se fez com esse material, mas até hoje não obtive uma resposta sobre.

Anos mais tarde (mês passado) recebo em minha casa a primeira edição da publicação Monstros do Fanzine, lançado pela editora independente AtomicBooks, que é inteiramente dedicada a Joacy Jamys! E não é uma publicação qualquer: são 136 páginas dedicadas ao artista radicado em São Luis/MA, com tratamento de imagens, papel especial e impressão magnífica.

Capa da primeira edição da série Monstros dos Fanzines dedicada a Joacy Jamys
Ilustração para a banda
The Power of The Bira

A publicação lançada em setembro de 2013 apresenta diversas fases e estilos de Jamys: desde quando ainda estava engatinhando nos rabiscos, passando pelos traços mais sujos, chegando até um estilo mais maduro, o qual lhe rendeu o título de “Moebius brasileiro”. Além das diversas tiras, HQs, capas de demo-tapes e zines, logotipos e charges, ainda tem um artigo de Gazy Andraus, uma entrevista de 2004 e a apresentação de Henrique Magalhães.

O editor Marcos Freitas acertou em cheio em inaugurar essa publicação com um artista tão eclético e polêmico que, além de ser um artista underground ímpar, era uma grande pessoa, conectada com tudo que acontecia ao seu redor e no mundo e sempre disposta a ajudar de alguma forma.

Um importante registro feito de forma bastante profissional (mais que merecido) e que serve para os velhos relembrarem a arte desse artista que não teve o reconhecimento do “grande público” na sua época e para os mais novos se inspirarem num trabalho que não foi agraciado por mesas digitais ou programas de aperfeiçoamento de imagens.





sábado, 28 de setembro de 2013

ELROY FARÁ SHOW EM SP


Para alegria da nova geração (que não os viu na época) e também para saciar a saudade dos mais, digamos, "experientes", algumas (boas) bandas paulistanas dos anos 90 têm retomado as atividades e/ou se reunido para shows esporádicos. Vou buscar de cabeça: Againe, Polara, IML e Echoplex. Completando esse time, quem acaba de anunciar um show é o Elroy, do multi-bandas Rafael Crespo. O Elroy navegava ali pelo encontro do mar do indie rock/guitar com o rio do post hardcore.

O show será no dia 26 de outubro, na Casa do Mancha, na Vila Madalena, São Paulo, SP. Rua Felipe de Alcaçova, S/N. Tel: 11-3796-7981. Não encontrei informação de horário e preço. O pico tem uma fanpage, e logo mais deve subir as infos completas por .

A foto é atual, da formação que vai se apresentar dia 26.

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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

POGO



Po.go sm. estilo de dança geralmente apresentado pelo público em shows de punk rock. Não tem uma técnica exata para sua execução, porém seus praticantes a utilizam para exteriorizar suas insatisfações, com movimentos bruscos de braços e pernas, em uma tentativa de se livrar de demônios interiores.

Enquanto prepara os últimos detalhes do Mitologia do Descompasso,  o zinista workaholic  Flávio Grão vai lançar na próxima sexta, 27/09,  não só mais um zine, mas um pacote de coisas que passeia pela cena punk e hardcore.

Há algum tempo, Grão foi convidado pelo Studio Wrong Way To Do para uma parceria que inicialmente seria apenas para desenvolver uma estampa de camiseta. Porém, quando terminou a ilustração (que tinha referências com o universo hardcore e punk rock)  decidiram que seria interessante expandir a idéia e publicar também um zine sobre o assunto. Surgiu aí o Pogo, projeto que, além da camiseta e do zine,  também envolve o lançamento de bottons.

O zine é uma compilação de desenhos resgatados do acervo de Grão de quase vinte anos, de seus cadernos de esboço, artes de cartazes, zines etc. Essa edição conta ainda com dois contos inéditos feitos especialmente para esse zine.

Grão tem a mania de ilustrar lugares e coisas que observa durante as viagens que faz Brasil afora. Uma das artes que compõem o zine, é a que o autor fez em seu caderno, sobre um postal do Museu do Ramones que ele visitou em Berlin no ano passado. "Na minha adolescência, eu e meus amigos ouvíamos Ramones o tempo todo. Alguns deles já morreram e estar naquele lugar me fez rememorar aqueles dias únicos onde éramos tão unidos e nos divertíamos com o pouco que tínhamos", relembra Grão.





O Minor Threat, banda criada por Ian Mackaye (que mais tarde fundaria o Fugazi), entrou na vida de Grão por volta de 1997 e há três anos ele fez este desenho baseado na música "Out of Step". Segundo ele, a arte é uma interpretação do título da música e não da letra em si. "É um exercício diário ficar 'fora do passo do mundo' e não absorver idéias ou conceitos do senso comum que são disseminados pela mídia ou propaganda e ficam no ar como verdades absolutas.” Fica a dica.



O lançamento será no Hotel Tee's à partir das 21h e, de quebra, ainda tem o show com a banda Microndas! Compareça, prestigie e adquira! 


terça-feira, 24 de setembro de 2013

OFICINA DE ESTÊNCIL COM DANIEL MELIM




No próximo sábado, 28 de setembro, acontece uma oficina (aka workshop) de estêncil com o Daniel Melim, no Instituto Tomie Ohtake em São Paulo/SP. O Melim é uma referência na arte urbana nacional e mundial. As vagas para a oficina são limitadas e gratuitas, e devem ser feitas pelo email: info@institutochoquecultural.org.br

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terça-feira, 17 de setembro de 2013

SAFRA 2013

Momento bem agitado na frente indie/guitar internacional, com discos e - eis o motivo desse post - clipes pipocando. Gente do calibre de Arcade Fire, Superchunk, Sebadoh... O velho e bom vídeoclipe continua sendo uma das armas mais eficazes e bacanas para promover uma música.







[alguém vai conseguir fazer uma música melhor do que "I will" em 2014? acho improvável]









E por aí vai...

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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

DESAGRADÁVEL




“A maldição de Omulu é Gangrena Gasosa no seu cu”. Com esse slogan nada convencional, qual esperança que uma banda independente carioca teria para conquistar um Prêmio Multishow ou mesmo ser a banda do ano da revista Bizz? Nenhuma.

Mas esse talvez nunca foi o objetivo da Gangrena Gasosa. Imprensa pra eles era o seu fanzine Amputação. O que eles queriam mesmo era incomodar, fazer merda, falar besteira, zoar o barraco. Resumindo: ser desagradável.

Ninguém acreditava, mas a primeira e única banda de saravá metal do mundo completou duas décadas de existência! Nesse meio-tempo muita coisa aconteceu. Milhares de integrantes entraram e saíram (alguns voltaram), foram perseguidos pela fogueira de Israel da Igreja Universal, estragaram casas de shows, foram jurados de morte, apanharam, bateram, fugiram de skinheads na Alemanha, enfim, plantaram o terror. Sim, foram desagradáveis.

Independente de todas essas desgraças, é inegável que a Gangrena é uma das bandas mais criativas que surgiram no cenário de rock alternativo dos anos de 1990. Sua evolução foi percebida em praça pública, desde as primeiras demo-tapes, passando pelo LP “Welcome to terreiro”, chegando até o já clássico “Se deus é 10, satanás é 666”, seu último lançamento fonográfico. Passaram de uma banda tosca, se enveredaram pelo extremo hardcore até incorporar a percussão em sua formação.

Com letras sempre fazendo ligação com universo da umbanda e candomblé, com uma caprichada dose de humor e no sense (até um tanto de crítica), não costumam pegar leve com ninguém, mesmo correndo o risco eminente de ser amaldiçoado por alguma entidade do além.

Motivos de sobra para documentar isso tudo, né? Foi isso que o vocalista Angelo Arede (no palco, conhecido como Zé Pelintra) e o documentarista Fernando Rick pensaram quando inciaram esse projeto que teve parte da produção financiada por meio de crowdfunding.
Rick foi um dos produtores do documentário “Guidable – A verdadeira história do Ratos de Porão” e não poupou qualidade técnica para esse registro que soma mais de três horas de entretenimento.

Foram entrevistadas diversas personalidades do submundo, como João Gordo e Jão do RDP, Jello Biafra, Marcelo D2, BNegão, Rafael Ramos, Xan Braz, Fábio do Garage, e ainda membros e ex-membros da banda, contando os fatos mais incríveis e inacreditáveis (porém, verdadeiros) capazes de levar a gargalhadas brutais em diversos momentos do documentário.

Tem as histórias protagonizadas por Paulão, que quase morreu apanhando, a outra que ele fez amor com uma mulher misteriosa que sumiu depois que quase foi morto por um trem; o tênis podre do Cid, que era lar de uma barata; o Fábio que pegou uma maldição por abrigar shows da banda no Garage; as aventuras no programa do Jô Soares e ainda muitas aventuras da banda pelo Brasil e na tour que fizeram na Europa, em 2001.

No CD bônus tem a gravação do show “Gangrena Gasosa no Inferno”, o documentário “Saravá Metal” e o clipe de “Cambonos from hell”. No show, os maiores clássicos da banda, a participação do Pai Jão, fechando com uma cena muito bizarra e assustadora.

Os paulistas tiveram a grande oportunidade de no mesmo dia ser lançado o DVD, puderam conferir o show da banda, com direito a muitas participações especiais.

Um registro de alta qualidade e honestidade que, além de contar a saga da Gangrena, ainda registra um pouco da história do rock carioca de sua época.

Recomendo que confira esse material. Há muitas provas das urucubacas causadas em quem duvidou dos poderes de bando de malucos. A maldição de Omulu deve doer.


domingo, 8 de setembro de 2013

RAMONES EM DOSE DUPLA

Duas notícias relacionadas ao universo dos Ramones. Ou melhor, uma notícia e um vídeo.

A notícia é que no dia 12 de setembro (também conhecido como "próxima quinta") vai rolar o Terceiro Curitiba Ramones Day. Olha o cartaz lindão logo abaixo:


Um dos organizadores do evento é o Dudu Munhoz, ex-baterista do glorioso Pinheads e um maníaco pelos Ramones. O evento vai contar com show da banda Magaivers (e convidados), os DJ's Mauricião e Slash, exposição de memorabilia ramone e história da banda com texto e imagens em banners. Haverá também venda de camiseta, caneca e cerveja artesanal do evento, além de material raro dos Ramones. Nas palavras dos organizadores, "basicamente será igual ao Primeiro e ao Segundo Ramones Day que aconteceram em 2009 e 2011: uma celebração entre amigos em torno de uma das bandas mais queridas da história do rock." Curitibanos, coloquem na agenda: quinta, 12/9, às 21h no Vox!

Olha que beleza a cerveja Cretin Hop. Edição limitada de 120 garrafas, foi elaborada pela Cervejaria Fortuna especialmente para o evento do dia 12/9.




E, completando a nota sobre os Ramones, fica a dica para conferir o vídeo/trailer sobre o espetacular Ramones Museum em Berlin, Alemanha. Alguns zinistas já tiveram a chance de conferir de perto e garantem: esse museu é um dos mais legais do mundo!!! Em qual outro museu você pode fazer a visitação tomando uma cerveja? O vídeo foi feito pelo nosso camarada Uli Sailor, da banda Tusq. Segundo o Uli, "[O Ramones Museum] é um lugar incrível, e gostaria de vê-lo popular no mundo todo." Nós também.


RMCM Berlin from RMCM Berlin on Vimeo.

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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

FANZINE NA EDUCAÇÃO

O zine está perdendo aquela imagem marginal que sempre o acompanhou. Aos poucos, está deixando de ser "a revistinha da turma" ou "jornalzinho punk" e sendo encarado com mais seriedade.

Uma das conquistas é ele ser reconhecido como uma ferramenta pedagógica por educadores e professores e, a cada dia que passa, mais relatos de experiências envolvendo os zines são apresentados para o público, geralmente em forma de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) ou artigos para eventos e seminários de Educação. Porém, ainda são poucas as publicações em formato de livro.

Renato Donisete é um dos zineiros mais ativos e o seu Aviso Final é um dos zines mais antigos em circulação no país, com mais de duas décadas. Alheio às redes sociais e à badalação do mundo virtual, utiliza a internet apenas para divulgar o lançamento de seus zines e eventos de amigos em seu Fotolog. Isso não representa um repúdio ou resistência, mas porque a vida de professor de escola pública não permite ficar muito tempo se divertindo em frente ao computador.



O professor de Educação Física iniciou o trabalho com zine com as turmas do Ciclo II na EMEF Presidente Campos Salles em 2008, quando a proposta pedagógica inovadora baseada na Escola da Ponte[1] passou a ser aplicada na escola localizada no bairro de Heliópolis (a maior favela de São Paulo) e foi desenvolvida até 2013, quando foi transferido para outra unidade.

Com o Cadernos de Estudos de Educação Física desenvolveu diversas propostas que envolvia a área de esportes, cuidados com o corpo e condicionamento físico, em um trabalho interdisciplinar com outras matérias, como História e Geografia. “Eu me utilizei deste formato fanzine para tratar questões pertinentes a comunidade escolar inserida, onde o movimento humano tenha sentido e significado”, diz o professor.

O relato dessa experiência acaba de ser lançado em formato de livro. Fanzine na Educação: algumas experiências em sala de aula explica como foi possível desenvolver o trabalho de pesquisa, leitura e escrita em uma disciplina que geralmente é vista como "lazer" ou mesmo para "domar" os alunos mais indisciplinados. Nessa publicação, lançada pela editora Marca de Fantasia, Donisete quebra esse preconceito e os paradigmas cristalizados pelos professores de escolas públicas, juntado duas paixões do autor: a docência e os zines.

A publicação acaba de sair do forno e, como é tradicional na Marca de Fantasia, foi produzida, impressa, montada, costurada por  Henrique Magalhães, que vai lançá-la oficialmente na Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, nesta semana na USP, em São Paulo. Acesse a programação completa do evento aqui.

O fanzinato está em festa por mais um registro histórico, que contribui significativamente para registrar a histórias dos zines no Brasil e (por que não?) para a Educação. Que venham mais!

Fanzine na Educação: algumas experiências em sala de aula
Renato Donisete Pinto
Série Quiosque, 29.
João Pessoa: Marca de Fantasia: 2013. 56p. 13x19cm. R$12,00.
ISBN 978-85-7999-083-0


[1] A Escola Básica da Ponte (em Porto, Portugal) é uma escola com práticas educativas que se afastam do modelo tradicional. (…) A sua estrutura organizativa, desde o espaço, ao tempo e ao modo de aprender exige uma maior participação dos alunos tendo como intencionalidade a participação efetiva destes em conjunto com os orientadores educativos, no planeamento das atividades, na sua aprendizagem e na avaliação. Não existem salas de aula, no sentido tradicional, mas sim espaços de trabalho, onde são disponibilizados diversos recursos, como: livros, dicionários, gramáticas, internet, vídeos… ou seja, várias fontes de conhecimento. (Fonte: http://www.escoladaponte.pt/ponte/projeto)

domingo, 18 de agosto de 2013

ZINES OU FANZINES?


 Zines ou Fanzines? Esse é o nome da roda de conversa que acontecerá no dia 24/08, às 11h, na Biblioteca Walter Wey (Estação Pinacoteca), em São Paulo/SP. O evento tem sobrenome - Um panorama da produção contemporânea de publicações independentes - e o bate-papo será conduzido por Bia Bittencourt (Feira Plana) e Douglas Utescher (Ugra Press). Inscrições antecipadas pelo telefone: 11 3335-5196.

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sábado, 10 de agosto de 2013

ESCUTANDO CHOSEN ONE...



Atenção: isto não é uma resenha.

São apenas divagacões numa ensolarada tarde de sábado, antes da sessão de skate, tomando um café e esperando o almoço ficar pronto (sem machismo: a esposa saiu, eu mesmo estou improvisando meu rango).

Vagando meio sem direção pelo apartamento, vou procurar algum vinil pra escutar, e então vejo o sete polegadas do Grindhouse Hotel ali na pilha, meio dando sopa e meio dizendo "e aí vagabundo, não vai me ouvir nunca?"

Decido ouvir, finalmente.

Ganhei esse disquinho dos amigos da Monstro (valeu Leonardos: Bigode e Razuk), bem na fase em que tinha saído da CemporcentoSKATE e, portanto, não tinha mais um canal, digamos, oficial/impresso para publicar uma resenha. Meio que por isso, meio que por preguiça, demorei pra caralho pra postar algo sobre o disco.

Tem outro motivo também: a banda é de stoner rock. Como alguns (poucos, mas bons) sabem, já tive uma banda de stoner, chamada ästerdon, tem até um cdzinho lançado e tal. Assim, me considero sempre um pouco suspeito (no pior sentido) pra falar de bandas de stoner. Se eu não falar bem, vai paracer sempre inveja. Mas não é inveja não: sou chato com som mesmo. Até com minhas próprias paradas sou crítico em demasia. Todavia, o que importa o que digo? O que importa mesmo é o que as pessoas pensam que você pensa, mesmo que isso não corresponda a verdade.

Enfim...

Chosen One. Sete polegadas vermelho lindão (tem como vinil colorido não ser "lindão"?), faixa-título no lado A, e no lado B "Monkey Rule". As duas são legais, bem gravadas, guitarras bem fortes e marcantes, batera e baixo funcionando perfeitamente e o vocal típico do estilo (mais típico em "Chosen One", na verdade, pois "Monkey Rule" tem partes mais roucas e agressivas). Porém, nada de novo. Sem ofensas, é apenas minha opinião: aquela coisa tradicional do stoner, "quadrada", seguindo a risca a cartilha do deserto, é uma fórmula ultrapassada. O que de melhor poderia ser produzido nesse âmbito, já foi.

Corte para o caso brasileiro: em especial o lance da voz é uma parada que me incomoda muito. A começar pelo meu próprio desempenho punk horroroso, tenho uma opinião que o Brasil não forma bons vocalistas de rock. Simplesmente não forma. No underground então, a coisa é ainda mais triste. E, conhecendo há muitos anos essa carência na posição atrás do microfone, tenho sempre problemas em apreciar bandas novas. Talvez não seja o limite das bandas, mas o meu próprio limite/preconceito em ação. No caso do Grindhouse a voz nem me incomodou, nem tampouco agradou: fiquei meio indiferente, mas talvez porque tenha essa pré-disposição a não gostar.

Blog é pra ser sincero, não é?

Escute os sons e tire suas próprias conclusões:





[foto surrupiada do site tenhomaisdiscosqueamigos.com.br]

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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

DOCUMENTÁRIO SOBRE O HR (BAD BRAINS)

Finding Joseph I é o nome do documentário sobre o lendário vocalista do Bad Brains, o HR. O trailer está logo abaixo.



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domingo, 4 de agosto de 2013

SESPER NA LOGO

Veja o teaser da próxima expo do Sesper, na Galeria Logo, São Paulo/SP. O nome da expo é "Reprovado". Abertura no dia 13 de agosto, e vai até o dia 21 de setembro.

Sesper "reprovado" 13/08/2013 Logo Galeria from Sesper on Vimeo.

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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

AGROTÓXICO NO VINIL


Para celebrar os 20 anos da banda, o Agrotóxico anuncia o lançamento de um álbum de inéditas (11 sons), chamado XX. Com lançamento simultâneo em 4 países (Brasil, França, Alemanha e Inglaterra), o disco sai inicialmente apenas no velho e bom formato preto, redondo e com um buraco no meio. LP de alta qualidade, com acabamento feito em Berlin, faz jus a longevidade, importância e batalha da banda no cenário punk rock/hc brasileiro.

Lançado e distribuído no Brasil pela Red Star Recordings.

E, aproveitando o ensejo, aqui vai um vídeo bem recente do Agrotóxico em ação na Alemanha, representando o punk brasileiro no bairro mais punk de Berlin, Kreuzberg:



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quarta-feira, 24 de julho de 2013

DK + WINSTON SMITH

E vamos puxar um viva para a MOCATV, que vem produzindo a excelente série The Art of Punk. Já postamos aqui no Zinismo o primeiro episódio, sobre Black Flag + Raymond Pettibon, e agora fica a dica desse episódio mostrando a arte de Winston Smith e sua relação com o Dead Kennedys. Do tipo imperdível! As colagens de Winston Smith são um verdadeiro patrimônio estético do punk rock e, se você se interessa pelo assunto, não deixe de dar play no vídeo logo abaixo.

Winston tem clareza sobre o poder da arte. "Com uma navalha e cola você pode mudar o mundo", diz no mini-documentário, que traz também depoimentos de Jello Biafra, seu "parceiro no crime".

Para se aprofundar ainda mais nesse tema, recomendo a leitura da entrevista de Winston Smith no livro Não Devemos Nada a Você, uma coletânea de entrevistas da Punk Planet, lançada no Brasil pela Edições Ideal.

Vai um trechinho de brinde:

"Houve algumas vezes em que eu disse que precisava ser feito do meu jeito porque era minha arte, e ele [Biafra] argumentava que tinha que ser feito do jeito dele porque era a música dele. Eu tive que me comprometer algumas vezes, e ele também, mas o resultado foi visualmente muito apropriado. Acabou dando certo para o que precisava ser."

Senhoras e senhores, a arte (punk) de Winston Smith:



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